sábado

Fazer coisas

"- O meu sonho sempre foi ter uma oficina.
- Mas uma oficina de quê?, perguntei eu.
- Uma oficina de tudo. Onde as pessoas pudessem vir para fazer coisas."

É lindo! (veio Daqui)


Imagem daqui: O Intelectual Brejeiro


segunda-feira

Learn

"People have to come to things in their own time. You have to learn when honesty is righteous and when honesty is nothing more than a parlor trick."



sábado

Wear the old coat and buy the new book

"Me chamam de um editorial
e me pedem que escreva
cinco folhas sobre a necessidade da leitura

Não pagam muito bem
e quem poderia pagar bem por um tema desses?
mas de qualquer maneira
preciso do dinheiro

assim que ligo meu computador começo a pensar
sobre a necessidade da leitura
mas não me ocorre nada

é algo que seguramente sabia quando era jovem
e lia sem parar
lia na Biblioteca Nacional
e nas bibliotecas públicas

lia nos cafés
e nas consultas ao dentista

lia no ônibus e no metrô

sempre andava olhando os livros

e passava as tardes nos sebos
até ficar sem um tostão nos bolsos

tinha que voltar para casa a pé

por ter comprado um Saroyan ou uma Virginia Woolf

Então os livros pareciam a coisa mais importante da vida

fundamentais

eu não tinha sapatos novos
mas não me faltava um Faulkner ou um Onetti
uma Katherine Mansfield ou uma Juana de Ibarbourou

hoje os jovens estão nas discotecas
não nas bibliotecas

eu fiz uma bela coleção de livros
ocupavam toda a casa

tinham livros em toda parte
menos no banheiro

que é o lugar onde estão os livros
da gente que não lê

as vezes tinha que seguir durante muito tempo
as pegadas de um livro que tinha saído no México
ou em Paris

uma longa pesquisa até consegui-lo

Nem todos valiam a pena
é verdade
mas poucas vezes me enganei
tive meus Pavese meus Salinger meus Sartre meus Heidegger
meus Saroyan meus Michaux meus Camus meus Baudelaire
meus Neruda meus Vallejo meus Huidobro
para não falar dos Cortázar ou dos Borges
sempre andava com anotações nos bolsos
dos livros que queria ler e não encontrava
ali andavam os Pedro Salinas e os Ambrose Bierce
a infame turba de Dante
mas agora não saberia dizer pra que maldita coisa
serve ter lido tudo isso

mais que para saber que a vida é triste

coisa que poderia saber sem precisar tê-los lido

Depois de cinco horas eu ainda não tinha escrito
uma só linha
assim que comecei a escrever esse poema
Chamei os do editorial
e disse creio que a única coisa para que serve
a leitura
é para escrever poemas

não posso dizer mais que isso

então me disseram que um poema não servia,
que precisavam de outra coisa."

Cristina Peri Rossi; trad. Nina Rizzi


Texto Daqui oh

quarta-feira

Memo to self(ies): ler 1 a 2 vezes ao dia antes das refeições

"These days I try to tell myself that what I feel is not very important. I've read this in several books now: that what I feel is important but not the center of everything. Maybe I do believe this, but not enough to act on it. I would like to believe it more deeply.
What a relief that would be. I wouldn't have to think about what I felt all the time, and try to control it, with all its complications and all its consequences. I wouldn't have to try to feel better all the time. In fact, if I didn't believe what I felt was so important, I probably wouldn't even feel so bad, and it wouldn't be so hard to feel better. I wouldn't have to say, Oh I feel so awful, this is like the end for me here, in this dark living-room late at night, with the dark street outside under the streetlamps, I am so very alone, everyone else in the house asleep, there is no comfort anywhere, just me alone down here, I will never calm myself enough to sleep, never sleep, never be able to go on to the next day, I can't possibly go on, I can't live, even through the next minute.
If I didn't believe what I felt was the center of everything, then it wouldn't be the center of everything, but just something off to the side, one of many things, and I would be able to see and pay attention to those other things that are equally important, and in this way I would have some relief.
But it is curious how you can believe an idea is absolutely true and correct and yet not believe it deeply enough to act on it. So I still act as though my feelings were the center of everything, and they still cause me to end up alone by the living-room window late at night. What is different now is that I have this idea: I have the idea that soon I will no longer believe that my feelings are the center of everything. This is a comfort to me, because if you despair of going on, but at the same time tell yourself that what you feel may not be very important, then either you may no longer despair of going on, or you may still despair of going on but not quite believe it anymore."


Estava no blog da Menina Limão

Rentes de Carvalho dixit

"Um livro, meus queridos, é bom e vale quando nos fala ao coração. Se vem com charanga, tambores e foguetório, deixá-lo passar."


Imagem: Fictious Dishes

sábado

Old Man in Rocker, Maine, 1967 - Berenice Abbott



You should go on until it is played out

"I understand, all right. The hopeless dream of being — not seeming, but being. At every waking moment, alert. The gulf between what you are with others and what you are alone. The vertigo and the constant hunger to be exposed, to be seen through, perhaps even wiped out. Every inflection and every gesture a lie, every smile a grimace. Suicide? No, too vulgar. But you can refuse to move, refuse to talk, so that you don’t have to lie. You can shut yourself in. Then you needn’t play any parts or make wrong gestures. Or so you thought. But reality is diabolical. Your hiding place isn’t watertight. Life trickles in from the outside, and you’re forced to react. No one asks if it is true or false, if you’re genuine or just a sham. Such things matter only in the theatre, and hardly there either. I understand why you don’t speak, why you don’t move, why you’ve created a part for yourself out of apathy. I understand. I admire. You should go on with this part until it is played out, until it loses interest for you. Then you can leave it, just as you’ve left your other parts one by one"
Um clássico, que estava nos rascunhos há anos. Adoro o Bergman, é o melhor a chapar texto nos filmes.


sexta-feira

Bolero do coronel sensível que fez amor em Monsanto

"Eu que me comovo
Por tudo e por nada
Deixei-te parada
Na berma da estrada
Usei o teu corpo
Paguei o teu preço
Esqueci o teu nome
Limpei-me com o lenço
Olhei-te a cintura
De pé no alcatrão
Levantei-te as saias
Deitei-te no banco
Num bosque de faias
De mala na mão
Nem sequer falaste
Nem sequer beijaste
Nem sequer gemeste,
Mordeste, abraçaste
Quinhentos escudos
Foi o que disseste
Tinhas quinze anos
Dezasseis, dezassete
Cheiravas a mato
À sopa dos pobres
A infância sem quarto
A suor, a chiclete
Saíste do carro
Alisando a blusa
Espiei da janela
Rosto de aguarela
Coxa em semifusa
Soltei o travão
Voltei para casa
De chaves na mão
Sobrancelha em asa
Disse: fiz serão
Ao filho e à mulher
Repeti a fruta
Acabei a ceia
Larguei o talher
Estendi-me na cama
De ouvido à escuta
E perna cruzada
Que de olhos em chama
Só tinha na ideia
Teu corpo parado
Na berma da estrada
Eu que me comovo
Por tudo e por nada"

Foto daqui

Li há dias no Clube de Leitores e guardei. Hoje vi o vídeo. Também guardei este. Guardo muitas coisas, mas não gosto do feedly porque ainda não sei guardar com tags e tenho as receitas misturadas com a poesia e com a maquilhagem, assim não dá. 

"Whatever I am, you did it."
"There sat I, a faded being, under faded leaves."

terça-feira

Lição nº 1

"Na completa, sincera, entusiástica e cínica biografia de Paul Gauguin, a que vai ser possível escrever dentro de cinquenta anos, quando estiver morta toda a geração que o viu de perto — eu incluído — não deverá esquecer-se o papel de Pissarro. Dinamarquês nascido nas Antilhas, vendido pela família ao negocio, mesmo sem doutrina soube dominar os elementos do seu próprio desenho. Bem mais do que dividir cores, logo ao princípio Pissarro lhe ensinou como se foge à família, à fatalidade de ser comerciante ou homem de finanças, homem pago ou pagador, homem de balanços, homem pau-para-toda-a-obra — como se não é vendilhão."

Foto: Superbomba

domingo

Smoking, drinking, never thinking

    "Martha deu-me uma asa de galinha. Mergulhei-a no saleiro e comi-a. Era deliciosa.
    «A tua mamã ausentou-se por uns dias», disse-me ela e voltei a sentir o nó na garganta. A comiseração fazia-me mal. Não quer dizer que Martha fosse maternal. Era demasiado bonita e fria para isso.
    Martha era aquilo a que os aldeões chamavam devassa. Ia quase todas as noites ao Hotel dos Galgos, vestida com um saia-e-casaco preto, justo, sem nada por baixo do casaco a não ser o soutien e um lenço de chiffon atado ao pescoço. Estrangeiros e caixeiros-viajantes admiravam-na. Rosto pálido, unhas pintadas, cabelo negro-azulado apanhado ao alto, cara de madonna, empoleirada num banco alto do bar do Hotel dos Galgos, eles achavam-na triste. Mas Martha jamais estava triste, a não ser que o tédio seja uma forma de tristeza. Ela queria duas coisas da vida e tinha-as — bebida e admiração."


Música: Look at yourself
    "«Raios partam, onde é que há uma carruagem para fumadores?», perguntou Baba. Foi o pai dela que nos meteu no comboio, e nós não revelámos que cada uma tinha um maço de cigarros na mala de mão.
    «Vamos à procura de uma», disse eu, e percorremos o corredor dando risadinhas e lançando aos estranhos o olhar «O que é que foi?» Julgo que iniciamos nesse momento aquela fase das nossas vidas de provincianas pacóvias que enfrentam descaradamente a cidade grande. As pessoas olhavam para nós e viravam a cara, como se tivessem descoberto que estávamos nuas, ou coisa parecida. Mas isso não nos afectava. Éramos jovens e, pensávamos nós, bonitas."


Foto: Nirrimi

sexta-feira

E. E. is coming

Esta música tem a "You only live once" dos Strokes e o álbum tem tantas outras. Parece que todos ouviram isto antes de inventarem as suas músicas.

Poema daqui 

Dos melhores poemas que já li

"O ginásio ergue-se na avenida.
Espera por mim.
Não vou."


Dos melhores posts "ironia fail", lindo
Poema Daqui

Preciso urgentemente de uma palavra para dizer "posts" sem dizer "posts"


I'm intrigued



"Magnetic putty time lapse as it absorbs a rare-earth magnet. Taken over 1.5 hours at 3fps." They say
Daqui (que antes veio daqui... internet's labyritnths)

domingo

E era deslumbramento a raiar algo como a dor de alma

"E agora, de repente, sinto-me triste. E desta vez é a sério. Acabo de imaginar, com chocante nitidez, aquele cacto na varanda, aqueles aposentos azuis, aquele nosso apartamento num dos prédios modernaços construídos em estilo caixote, pequenos a parecer grandes, do tipo não-queremos-aqui-disparates. E aí, no meu mundo de asseio e limpeza, grassa a desordem lydiana, a doce fisgada ordinária do perfume dela. Mas os seus defeitos, a sua inocente estupidez, o seu hábito de colégio interno de se pôr com risinhos na cama não era o que realmente me aborrecia. Nunca discutíamos, nunca lhe censurei nada, por mais asneiras que ela debitasse em público ou por muito mal que se vestisse. Não tinha jeito nenhum para distinguir os padrões, pobrezinha. Achava que ficava bem se as cores principais condissessem, tanto bastava para satisfazer por completo o seu sentido de tons. Portanto, era capaz de exibir um chapéu de feltro verde-relva com um vestido verde-azeitona ou eau de Nil. Gostava de tudo «a par». Por exemplo, se o cinto fosse preto, ela achava absolutamente necessário pôr uma franjinha preta ou um folhozinho preto no decote. (...) De vida doméstica, não percebia patavina. Era um desastre a receber. Havia sempre, num piresinho, tabletes de chocolate de leite aos bocados, como oferecem as famílias pobres de província. Por vezes, perguntava a mim próprio porque diabo a amava. Talvez pela morna íris de avelã dos seus olhos penugentos ou pelo ondulado natural do cabelo castanho, penteado de qualquer maneira, ou então por aquele mover dos ombros rechonchudos. Mas provavelmente a verdade é que a amava por ela me amar. Para ela, eu era o homem ideal: miolos, genica. E nenhum se vestia melhor. Lembro-me de uma ocasião, quando vesti pela primeira vez aquele smoking novo com as calças de cós alto, que ela apertou as mãos, afundou-se numa cadeira e murmurou: «Oh, Hermann...», e era deslumbramento a raiar algo como a dor de alma."

Robert Louis Stevenson and His Wife - John Singer Sargent


Carta a Georges-Daniel de Monfreid, Tahiti, Abril de 1896

"Há muitas pessoas que encontram sempre protecção, porque os outros sabem-nas fracas e elas sabem pedir. A mim, nunca ninguém protegeu porque me julgam forte e fui muito orgulhoso. Hoje estou de rastos, fraco, meio gasto pela luta sem quartel que empreendi, ajoelho-me e ponho de lado todo o orgulho. Não passo de um falhado."


Paul Gauguin: Auto-retrato com flores


"Atrás de um belo invólucro não procurou improváveis estados de alma canaca: a pintar indígenas soube ser animalista."


sábado

Notas do tradutor em "A Educação Sentimental"

"E Frédéric alegrava-se ao ouvir estas coisas, como se tivesse feito uma descoberta, uma aquisição." 
Conselho de Maxime Du Camp que não foi seguido: «Suprime esta última palavra que não é adequada e tira força à anterior»

"Não falou nela, inibido por um pudor"
Observação de Maxime Du Camp que Flaubert não acatou: «O que é um pudor? Por que não dois ou três pudores? O pudor é um só ou então tem de ser qualificado»

"Tinha parado no meio do Pont-Neuf, e, sem chapéu, de peito aberto, aspirava o ar."
Observação de Maxime Du Camp que Flaubert não corrigiu: «Tu querias dizer descoberto: aberto ultrapassa o teu objectivo e cria uma imagem impossível.»

"No relógio de uma igreja, soou uma badalada, lentamente, semelhante a uma voz que o tivesse chamado."
Observação de Maxime Du Camp que Flaubert não corrigiu: «Isto é uma brincadeira: como queres que uma badalada soe lentamente? Duas ou três, ainda vá!» Du Camp não supôs que Flaubert quisesse falar de uma hora qualquer e não da primeira hora da manhã.

"Mostrou-lhe a arte de reconhecer os vinhos, de queimar o ponche, de fazer guisado de galinholas;"
Flaubert tinha escrito inicialmente: «Mostrou-lhe como reconhecer», etc., mas teve em conta a seguinte observação de Maxime Du Camp: «belo erro de francês! Deve ser: mostrou-lhe como se reconhece, ou ensinou-lhe a reconhecer.»

"Às vezes sorria, fixando nele os olhos, um minuto."
Inicialmente Flaubert tinha escrito «fixando-o», mas depois teve em conta a observação de Maxime Du Camp: «Fixá-lo não é francês. Fixam-se os olhos em. Tira isso, vais refilar mas é inadmissível.»

"Se bem que tivesse botas extra-envernizadas, tinha as suíças rapadas, para ficar com uma testa de pensador."
Observação de Maxime Du Camp que Flaubert não acatou: »Qual a relação entre ter botas envernizadas e suíças rapadas? Então por que usar se bem que?»


WTF. Este post andou comigo meses e meses enquanto lia o livro. Ia ser genial. Deu-me mais trabalho que todos os outros. Foi ao lápis azul e voltou mais pequeno, mas continuou ali nos rascunhos à espera do dia certo. Hoje em dia acho-o uma merda. Decidi postá-lo para me libertar da desilusão.




Aquela puta da Bovary vai viver para sempre

"Sabe que, prestes a morrer, Flaubert gritou muito alto, alta voce: «Vou morrer como um cão e aquela puta da Bovary vai viver para sempre.» Isto é imenso, e ele tinha razão." 


Nunca li o livro Madame Bovary. O primeiro livro que li de Flaubert foi "Memórias de um Louco", depois li "A Educação Sentimental". Conhecia o Madame Bovary (de nome) há muitos anos, e no entanto o motivo porque fui ler estes dois livros de Flaubert foi porque "eram do autor de Madame Bovary", mas nunca li o Madame Bovary (e aqui repito-me). Saber que existe uma adaptação do livro com a Isabelle Huppert dá-me forças para continuar (continuar o que? Não consigo, depois de começar a frase daquela maneira, acabá-la de outra forma, é triste ser-se limitado na escrita e ainda mais triste confrontar-mo-nos com isso num caso de extrema necessidade como este) mesmo que depois o filme venha a ser uma desilusão como acontece na maior parte das vezes. 

Estive a reler o encontro entre George Steiner e António Lobo Antunes, na revista Ler. (Pus um excerto desse encontro neste post, back in the days.)

terça-feira

Funny facts

"Preferimos sempre que digam: «Ele parece-se contigo», e não o inverso."


Imagem daqui. E diz assim: "The first time David Lynch saw Isabella Rossellini, not knowing who she was, he asked “Who is that Ingrid Bergman-looking woman?”"

Deve ser isto O Método, mas na versão 'Para o Escritor'

"Nunca tendo sido eu próprio vagabundo, não sabia (ainda agora não sei) pôr a vida dele em reposição no meu ecrã privativo. O que eu mais gostaria de imaginar era a impressão que lhe terá deixado certa manhã de Maio, passada num pedaço de relva descorada perto de Praga."


Imagem daqui (well done 'Juliana, 16, Portugal')

sexta-feira

Senhoras Lerois no caminho? Guardo todas...

"— Ah, sim, eu sei  respondeu ela com um fingido desdém , a filha daqueles grandes comerciantes de madeiras. Sei que ela frequenta agora a sociedade, mas dir-lhe-ei que estou velha de mais para fazer novos conhecimentos. Conheci pessoas tão interessantes, tão amáveis, que acho que a senhora Leroi nada acrescentaria realmente ao que eu já tenho."




Quimera

"— Mas voltemos a si  disse-me  e aos meus projectos a seu respeito. Sabe que existe entre certos homens uma franco-maçonaria de que não posso falar-lhe, mas que neste momento conta nas suas fileiras quatro soberanos da Europa. Ora os próximos de um deles, que é o imperador da Alemanha, querem curá-lo da sua quimera. É uma coisa muito grave e pode trazer-nos a guerra. Sim, meu caro senhor, perfeitamente. O senhor conhece a história daquele homem que julgava ter numa garrafa a princesa da China. Era uma loucura. Curaram-no dela. Mas, mal deixou de estar louco, ficou estúpido. Há males de que se não deve procurar curar ninguém, porque são os únicos que nos protegem de outros mais graves."



terça-feira

The whole shebang

"You’ve got to fake it until you make it"


Because I polish it in my mind all day long

"I attempt all day, at work, not to think about what lies ahead, but this costs me so much effort that there is nothing left for my work. I handle telephone calls so badly that after a while the switchboard operator refuses to connect me. So I had better say to myself, Go ahead and polish the silverware beautifully, then lay it out ready on the sideboard and be done with it. Because I polish it in my mind all day long — this is what torments me (and doesn't clean the silver)."


"Porque eu rezo que o Jack Daniel's escorregue tão facilmente como um beijo."


The most popular girls at school


"This picture was taken in 1998, at a time when people were just beginning to realise what "mean girls" were, and how brutal and cliquey and excluding they could be. I was on an assignment for the New York Times magazine, for a special issue about being 13. They sent me to a place in Minnesota called Edina, right in the heartland of the US. It was so interesting: in a book I did called Fast Forward, I had been taking a look at how kids grow up really quickly in Los Angeles. But in Minnesota, where life is supposedly not as fast-paced as in LA, I found kids who were equally precocious.

This group of girls were in the popular clique at their school. Popularity was very codified: all the kids knew you had to shop in three particular stores, and that you needed to be blond, thin and blue-eyed. The girls were on their way to their first big party of the seventh grade. I spent a lot of time inside one of their houses, photographing them doing their makeup and combing their hair. Then we came outside. In the beautiful late-afternoon light, they lined up and started posing – it was very much their idea rather than mine.

What I love is that each girl has a different personality in the image, and you can read into it what their status is in the clique. Hannah, the third girl in the purple, was actually deemed the most popular girl at school. But she told me later that she wasn’t actually sure about her group of friends: they could be mean, and people would get criticised if they didn’t look a certain way. Even if you’re in the place everyone wants to be in, as she was, there’s still a lot of pressure to keep up the grade. In a way, she felt it was bad to be popular."

segunda-feira

Saturday night cepos by Kerouac

"«Partes alegre e regressas vergado à tristeza», diz Tomás de Kempis referindo-se aos néscios que buscam o prazer como putos de liceu, que correm pelo passeio com grande alarido no sábado à noite em direcção ao carro enquanto ajeitam a gravata e esfregam as mãos num gesto de gozo antecipado, tudo isto para acordarem a gemer na manhã de domingo de olhos lacrimejantes em camas que a mamã terá que fazer de lavado."


terça-feira

Love all over Patti Smith's memoir Just Kids

"Robert always would tell me, "Nothing is finished until you see it""

"As the holidays approached, we agreed to work on books of drawings as a mutual gift. In some way, Robert was giving me an assignment to help me pull myself together, something creative on which to focus."



Este livro é maravilhoso e lembro-me dele muitas vezes. Adoro quando isto me acontece :)




L'Esprit du Temps

"Andamos na caça do pequeno ladrão e a destruirmo-nos uns aos outros. Assim, não nos aperceberemos da galinheira em que nos transformamos, com a raposa lá dentro, de dentes afiados e olhar cintilante."






sexta-feira

"Não era da amante de Harry que tinha medo, mas da amiga. Quando Harry voltava para casa, não o fazia como o homem exausto pela paixão que recupera a tranquilidade e a rotina conjugais (Laurence teria sido capaz de lhe perdoar isso, tal como vira a mãe perdoar a Delarcher), mas como alguém que deixou a calma do porto para entrar num mar embravecido."

quinta-feira

Protesters stand silently and read books in central Istanbul


A woman reads the philosophical essay The Myth of Sisyphus by French author Albert Camus in Taksim Square. The book focuses on the search for meaning in the absence of God.

Gabriel Garcia Marquez's Leaf Storm centres on a family in limbo following the death of a man passionately hated, yet tied to the family.

Turkish writer Tezer Ozlu's book, Old Garden - Old Love, is a collection of short stories.

Irvin David Yalom's historical novel When Nietzsche Wept is about a prominent physician, Josef Beuer, falling in love with Lou Salome, who was believed to have spurned Friedrich Nietzche's romantic overtures.

A man reads the Turkish book Resurrection Gallipoli 1915, written by Turgut Ozakman on the Battle of Gallipoli, while a woman beside him reads George Orwell's Nineteen Eighty-Four.

George Orwell's dystopic novel Nineteen Eighty-Four centralises around a police state with total government surveillance.

A man reads a Japanese novel, Hard-Boiled Wonderland and the End of the World, by Haruki Murakami - while another woman enjoys Orwell's Nineteen Eighty-Four, a popular choice of the Taksimites.

One woman reads The Speech, which is the text of of a speech delivered by Turkey's first president, Mustafa Kemal Ataturk, at an assembly in 1927 - while another woman (right) reads a biography of Ataturk.

A woman reads The Metamorphosis by Franz Kafka, a darkly absurdist novel about a travelling salesman who turned into a giant bug.

A man reads The Criss of the Modern World, a critique of the modern world from the point of view of traditional metaphysics, by French author Rene Guenon.

A man reads Three Days with my Mother, a book about a novelist with writer's block, by Belgian author and director Francois Weyergans

Via rui.zink (original daqui )

Pensava no preço que a vida cobra por bens insignificantes

"Sabia por experiência que, quando temos os nervos em franja, o melhor remédio é o trabalho. É preciso a gente sentar-se à mesa e obrigar-se, custe o que custar, à concentração numa ideia qualquer. Tirou da sua pasta vermelha um caderno em que fizera o esboço de um pequeno trabalho de compilação, concebido para o caso de se aborrecer na Crimeia. Sentou-se à mesa e, logo que começou a elaborar o resumo, pareceu que lhe voltava o estado pacífico, submisso e indiferente. O resumo levou-o, até, a reflexões sobre a vaidade humana. Pensava no preço que a vida cobra por bens insignificantes ou muito vulgares que dá à pessoa. Ele, Kóvrin, por exemplo, para lhe ser dada uma cátedra quase aos quarenta anos, para ser um professor catedrático vulgar e expor numa linguagem mole, enfadonha e pesada ideias banais e ainda por cima alheias – numa palavra, para alcançar a posição de um cientista medíocre, precisou de estudar quinze anos; trabalhar dia e noite, sofrer de uma grave doença mental, ter um casamento infeliz e fazer muitas asneiras e injustiças, de que seria mais agradável nunca se lembrar. Kóvrin tinha agora a plena consciência de ser medíocre e de bom grado se resignava com o facto, porque, na sua opinião, cada qual devia estar satisfeito com o que era."





"A feli­ci­dade con­siste em ser-se um des­gra­çado que se sente feliz".


Kubrick and daughter on the set of The Shining.
The only person who thinks this photo is about Jack Nicholson is Jack Nicholson.
-Stanley Kubrick

Texto daqui: escreveretriste (é um post da Maria João Freitas sobre um livro chamado Greguerías)
Imagem daqui: tumblr

sexta-feira

Não é num lugar nem num clima qualquer da Terra

 "– Porque é que me mandou um presente há uns anos? – perguntou-lhe ele de repente, não com coqueteria ou brusquidão, mas estranhamente angustiado. – Porquê essa loucura?
  – Não sei. Tive vontade de o fazer.
  – Que loucura! – repetiu Harry.
  Desta vez, Ada não se perturbou. Olhou-o com uma expressão triste e pensativa.
  – Não pode imaginar o que você tem representado para mim...
  – Mas isso foi... lá na nossa terra... há muito tempo.
  – Sim, mas lá... o que aconteceu ali é talvez mais importante do que você pensa, mais importante do que tudo o resto, do que a sua vida aqui, do que o seu casamento... Nós nascemos lá, é lá que estão as nossas raízes...
  – Quer dizer, na Rússia?
  – Não. Mais longe... num lugar mais profundo...
  – Não é num lugar nem num clima qualquer da Terra – murmurou Harry –, mas uma maneira especial de amar, de desejar...
  – O que é que desejou mais neste mundo?
  – A mulher com quem me casei. E você?
  – Conhecê-lo.
  – Se o desejou com tanta força, tão em vão como eu desejei ter Laurence – disse Harry em voz baixa  –, então lamento por si.
  – Em vão? Porque? Obteve o que queria.
  – Sim – respondeu ele com certa amargura –, como se possui um objecto reflectido num espelho, uma imagem, uma sombra que não se pode agarrar, nem...
  Fez uma pausa
  – Não faça caso. Eu peço o impossível. A verdade é que sou feliz."

Fotografia: Daqui (via)

quarta-feira

Wendeed

"We read, we travel, we become."


Fotografia: Nirrimi