segunda-feira

O caminho para a distância

"Paulo desceu, no banco de carona, as curvas da avenida Niemeyer, como quem desce o caminho para uma riviera francesa, uma ilha grega, um país estrangeiro, ele estava indo para o país dos homens felizes, os que nascem de novo a cada dia."


Foto: Sophie Delaporte

domingo

Like the most banal of women

  "She had an overwhelming desire to tell him, like the most banal of women, Don't let me go, hold me tight, make me your plaything, your slave, be strong! But they were words she could not say.
   The only thing she said when he released her from his embrace was, 'You don't know how happy I am to be with you.' That was the most her reserved nature allowed her to express."

Bonjour tristesse. C'est dimanche

Those years were more attractive in retrospect than they were when he was living them

 "He paid the bill, left the restaurant and started walking through the streets, his melancholy growing more and more beautiful. He had spent seven years of his life with Tereza, and now he realized that those years were more attractive in retrospect than they were when he was living them.
  His love for Tereza was beautiful, but it was also tiring: he had constantly had to hide things from her, sham, dissemble, make amends, buck her up, calm her down, give her evidence of his feelings, play the defendant to her jealousy, her suffering, and her dreams, feel guilty, make excuses and apologies. Now what was tiring had disappeared and only the beauty remained."



sábado

How Wordswoth came to write poetry

"De Quincey tells an interesting story about Wordsworth. He had asked Wordsworth how he came to write poetry, and Wordsworth's answer was not satisfactory. But later in the day, they went to meet the mail cart, which was coming from Keswick. Wordsworth knelt down with his car to the ground to listen for its rumble; When he heard nothing, he straightened up, and his attention was caught by an evening star, which suddenly appeared to him to be intensely beautiful. Wordsworth said: "Now I can explain to you how I come to write poetry. If ever I am concentrating on something that has nothing to do with poetry, and then I suddenly relax my attention, whatever I see when I relax appears to me to be beautiful."


Wordsworth é o melhor nome para um poeta
" –  Não é neste sentido que estou a falar. Pergunto: o que será do pomar quando eu morrer? Sem mim, não vai aguentar nem um mês no estado em que o vês agora. O segredo do êxito não consiste em o pomar ser grande e ter muitos trabalhadores, mas no gosto que eu tenho pelo meu ofício, estás a entender? Gosto talvez mais do meu trabalho do que de mim. Olha para isto: faço tudo com as minhas próprias mãos. Trabalho de manhã à noite. Faço toda a enxertia, as podas também faço eu, também planto, faço tudo eu. Quando me ajudam fico invejoso e irrito-me até à grosseria. Todo o segredo está no amor, ou seja, no olhar atento do dono, nas mãos do dono, a um ponto tal que, se vou visitar alguém e fico lá uma horita a tomar chá, tenho apertos de coração, não estou bem: tenho medo que aconteça alguma coisa ao pomar. Ora, quando eu morrer, quem vai cuidar dele? Quem vai trabalhar? O jardineiro? Os jornaleiros? Achas? Ouve então o que tenho para te dizer, querido amigo: o inimigo principal do nosso trabalho não é a lebre nem o bicho, nem a geada, mas os estranhos."


quinta-feira

"Depois de Carol ter saído, enquanto deitava para o lixo um grande número de lenços de papel usados e ajeitava as almofadas do sofá, Symons comentou que a ilusão mais comum e prejudicial que assolava os que iam falar com ele era a noção de que deviam, de uma maneira qualquer e no decurso normal dos acontecimentos, ter intuído - muito antes de terem concluído as suas licenciaturas, constituído família, comprado casas e chegado ao topo da carreira em escritórios de advogados - o que deviam ter feito das suas vidas da maneira mais adequada. Sentiam-se atormentados pela noção residual de que, devido a qualquer erro ou estupidez da sua parte, teriam passado ao lado da sua verdadeira «vocação»."


Whiny Hannahs, the secret to happiness requires us to lower our expectations

"Deixei a empresa de Symons com uma nova percepção da crueldade irreflectida, discretamente presente na magnânima presunção burguesa que nos leva a acreditar que todos podemos encontrar a felicidade através do trabalho e do amor. Não se trata da questão de essas duas entidades serem incapazes, invariavelmente, de nos proporcionar um sentido de realização pessoal, mas sim, e apenas, do facto de quase nunca o fazerem. E quando uma excepção é interpretada erroneamente como uma regra, os nossos infortúnios individuais, em vez de nos parecerem aspectos quase inevitáveis da vida, pesar-nos-ão como maldições em particular. Ao negar o lugar natural reservado à ansiedade e ao erro na condição humana, a ideologia burguesa nega-nos a possibilidade de consolação colectiva pelos nossos casamentos turbulentos e pelas nossas ambições por explorar, condenando-nos a sentimentos solitários de vergonha e tormento por termos falhado teimosamente em tornarmo-nos quem somos."



segunda-feira

"Nada há pior que o contraste entre o esplendor natural da vida interna, com as suas Índias naturais e os seus países incógnitos, e a sordidez, ainda que em verdade não seja sórdida, de quotidianidade da vida. O tédio pesa mais quando não tem a desculpa da inércia. O tédio dos grandes esforçados é o pior de todos. Não é o tédio a doença do aborrecimento de nada ter que fazer, mas a doença maior de se sentir que não vale a pena fazer nada. E, sendo assim, quanto mais há que fazer, mais tédio há que sentir."


Foto daqui






sexta-feira

She thinks

"Well I'm sure that I could be a movie star
If I could get out of this place"


Os sítios, as oportunidades, as oportunidades de uns sítios e a falta de oportunidades dos outros sítios, e o que nos tornamos por termos ficado neste sítio, e o que seríamos se estivéssemos num outro sítio. Acho tudo uma treta e cada um de nós faz o sítio. Amanhã acharei que este sítio não nos merece. Depois vou achar que nunca se pode gerar uma "estrela de cinema" num sítio onde as pessoas parecem todas assim. Não há feira do livro no Porto este ano, então fiquei assim neste estado de revolta, vou ali bater com a cabeça na parede e apanhar sol.

Jean Béraud - The Drinkers

domingo

She talked to me about her life fucking Saudi princes, having orgies with CIA agents, and the truth about men who pay for sex.

"But I’m semi confused because for the guys it’s like — you’re good-looking, you’re successful, you’re rich, so why can’t you just fuck someone without having to pay them? Are they just awful people?

No, they’re usually fine. They’re just too busy. And they have standards. It’s hard to just meet someone at a bar who’s hot and smart and who you can have an interesting conversation with, who also wants to fuck you on the first night."


Now this was shocking. "I want it all and I want it now" mood.

The Interview

Gif from Sleeping Beauty (I've just watched the movie. I'm not sure about it, tomorrow I'll know)

Don't let Manic Pixie Dream Girls ruin your sex life!

"Zooey Deschanel led me to believe that guys would want to go out with me if I dressed like a menopausal librarian, when I probably would've gotten laid more if I'd followed my instincts and dressed like a total slut."


This is funny to read (but after being funny is sad because female insecurity on what to wear to get laid or to  get a boyfriend is always a sad matter)

quinta-feira

Through all kinds of weather

"O mundo é tão vasto, tão complicado, tão repleto de maravilhas e surpresas que a maioria das pessoas leva alguns anos para começar a perceber que é também irremediavelmente quebrado. A esse período de pesquisa chamamos “infância”.

Segue-se um programa de investigação reiterada, quase sempre involuntária, sobre a natureza e os efeitos de mortalidade, entropia, coração partido, violência, fracasso, covardia, hipocrisia, crueldade e sofrimento, cujas histórias e amargas lições o pesquisador aprende de cor. Ao longo do caminho, ele ou ela vai descobrindo que o mundo está quebrado até onde alcança a memória de qualquer um, e luta para conciliar tal fato com a pontada de nostalgia cósmica que, de tempos em tempos, agita-se em seu coração: uma sugestão de glória extinta, de inteireza perdida, uma memória do mundo antes de se quebrar. Ao momento em que essa pontada se manifesta pela primeira vez chamamos “adolescência”. O sentimento assombra as pessoas pelo resto da vida.

Todo mundo, cedo ou tarde, é submetido ao aprendizado da quebra. A questão passa a ser então: o que fazer com os pedaços? Há quem se abanque em sua pilha local de escombros e toque a vida assim mesmo, beduínos criando suas cabras à sombra de gigantes em ruínas. Outros se põem a quebrar o que resta do mundo em cacos cada vez menores e mais cortantes, chutando pilhas de destroços como crianças a correr entre montes de folhas secas. E algumas pessoas, passando entre os pedaços dispersos desse grande quebra-cabeça em desalinho, começam a colher uma peça aqui e outra ali, com uma ideia vaga, mas irresistível, de que algo talvez possa ser feito para colar aquilo de novo.

Esse plano apresenta de imediato duas dificuldades. Em primeiro lugar, jamais tivemos mais do que um vislumbre, através de pálpebras semicerradas, da gravura na tampa da caixa do quebra-cabeça. Além disso, por mais diligentes que sejamos na coleta de peças em nosso caminho, nunca juntaremos nem perto do suficiente para terminar o trabalho. O máximo que podemos ter esperança de lograr com nosso punhado de cacos resgatados – a safra agridoce da observação e da experiência – é construir um pequeno mundo só nosso. Uma maquete daquele misterioso original não quebrado que mal recordamos. É claro que os mundos que construímos com nosso estoque de fragmentos não têm como passar de aproximações parciais e imprecisas. Como representações da plenitude perdida que nos assombra, só podem ser fracassos previsíveis. Em seu próprio fracasso, porém, em suas falhas e imprecisões, talvez ainda sejam mapas fiéis, maquetes acuradas deste mundo belo e partido. A essas maquetes chamamos “obras de arte”."


Ligação partilhada pela Revista Ellenismos
Artigo Original no The New York Review of Books

quarta-feira

Era feriado

"– Tu eras a pessoa mais antiga que eu jamais conheci. Eras a monotonia de meu amor eterno, e eu não sabia. Eu tinha por ti o tédio que sinto nos feriados. O que era? era como a água escorrendo numa fonte de pedra, e os anos demarcados na lisura da pedra, o musgo entreaberto pelo fio d’água correndo, e a nuvem no alto, e o homem amado repousando, e o amor parado, era feriado, e o silêncio no vôo dos mosquitos. E o presente disponível. E minha libertação lentamente entediada, a fartura, a fartura do corpo que não pede e não precisa."






sexta-feira

"You know I have friends who used to laugh at me when I said we have to create a relationship. They thought relationship is a miracle, it just happens, it comes, we find it, and there it is. But it’s not true. I never found that to be true. One friend was amazed at things that happened in a relationship over the years. And I said: "Yes, we created that. This friendship was created with talking, with struggle, with crises." So wait until you feel right within yourself, and then you’ll feel right towards others."


Foto: Malick Sidibé
Quanto à música: I want that one

"A true poet does not bother to be poetical. Nor does a nursery gardener scent his roses."


Com que idade percebeu que falhou na vida?

" –  Tu pareces-me muito calmo em matéria de política.
  –  Efeitos da idade  disse o advogado.
E resumiram as respectivas vidas.
Ambos tinham falhado, tanto o que tinha sonhado com o amor como o que tinha sonhado com o poder. Qual a razão disso?
  –  Talvez a falta de uma linha recta  disse Frédéric
 –  Para ti, pode ser que seja. Eu, pelo contrário, pequei por excesso de rectidão, sem ter em conta mil coisas secundárias, mais fortes do que tudo. Eu tinha lógica a mais, e tu sentimento.
Depois, acusaram o acaso, as circunstâncias, a época em que haviam nascido."



E os Jefferson Airplane, após três semanas no Chelsea (onde se cruzaram com a Patti Smith, como a própria conta no livro), saem-se com esta maravilha

domingo

"Christy rolled her eyes and sighed a sigh."


sexta-feira

"No terceiro andar há uma pensão, dizem que imoral, mas isso é como toda a vida."



Sei de cor o teu cabelo sei o champô a que cheira

"Leitor
Já te aconteceu respirar
Em lenta degustação do eu acentrado
Essa pedra de incenso que enche um templo
Ou a alfazema entranhada num lenço?

É de facto um encanto que do fundo mágico nos fascina
Instilando no presente um passado ido Faz-nos amantes
A colher a exquise flor do recuerdo
Sobre um corpo amado

Somos sentidos ou lembrados?

Dos seus cabelos fartos e elásticos
Autêntico saquinho de cheiros
Um odor que sobe subia selvagem e inteiro
E dos vestidos musselina ou veludo
Impregnados do seu corpo capricho
Se desprendia desprende um cheiro forte a epiderme de bicho"





terça-feira

"Frequentou a sociedade, e teve ainda outros amores. Mas a recordação permanente do primeiro tornava-os insípidos; e, depois, a veemência do desejo, a própria flor da sensação estava perdida. As suas ambições espirituais tinham igualmente diminuído. Anos passaram; e ele suportava a inacção da sua inteligência e a inércia do seu coração."


Roubei esta imagem de um blog mas não me lembro de qual.

"O meu isolamento não é uma busca de felicidade, que não tenho alma para conseguir; nem de tranquilidade, que ninguém obtém senão quando nunca a perdeu  mas de sono, de apagamento, de renúncia pequena."




quarta-feira

"A minha vontade neste momento era a de escrever a letra da minha vida que encaixasse na melodia da vida dos outros. Era uma junção feliz. Assim o que quer que fosse que eu dissesse era um deleite para qualquer ouvido. A melodia teria de ser perfeita na sua simplicidade e crua no seu ataque, mas disso encarregar-se-ia a minha voz: de descompassar a ordem das coisas, de arreliar a paz interior do mais pacífico dos mortais. Seria como se Diónisos encontrasse Apolo e dançassem num fim de tarde húmido e escarlate por entre os densos e escassos raios de sol que pintam a foz de um rio do pantanal. Esse era eu no meu sonho."


Foto: Lúcia Campinho

Evento (quem tem um cartaz bonito)

segunda-feira

Simplicity is a difficult task

"Como muitos intelectuais, ele não era capaz de dizer de uma maneira simples as coisas simples. Achava para cada uma um qualificativo precioso, e depois generalizava. Albertine, que não gostava muito de que se preocupassem com o que fazia, aborrecia-se por, depois de ter torcido um pé e ficado imobilizada, Bloch lhe ter dito: «Está reclinada na sua cadeira de repouso, mas por ubiquidade não pára de frequentar simultaneamente uns vagos golfes e uns avulsos ténis.»"









A tela do computador não tem a calma da página impressa

Você argumenta que, enquanto o livro impresso originou uma evolução nos hábitos de leitura (da leitura em voz alta para a silenciosa, mais reflexiva), a internet favorece "uma forma mais primitiva de leitura". Por quê? 

A leitura não é uma habilidade nata nos humanos, como a fala, por exemplo. Temos que aprender a ler, e por isso as ferramentas que usamos para ler vão influenciar a qualidade de nossa leitura. O livro impresso, como tecnologia, nos protege de distrações e foca nossa atenção nas palavras do autor, no argumento ou na história. Estimulando a atenção e a calma, a página impressa encoraja uma forma mais profunda de leitura, na qual somos capazes de usar o máximo de nossa imaginação e nossa habilidade interpretativa para compreender o texto. A tela do computador não tem a calma da página impressa. As palavras do autor são forçadas a competir com outros estímulos que chegam através do computador. O leitor distraído não lê com profundidade; ele passa os olhos no texto, lê na diagonal. A leitura se torna um simples ato de decodificação, em vez de um sofisticado ato de interpretação e imaginação. 

Como essa mudança nos hábitos de leitura pode influenciar a fruição da literatura? 

Com o tempo, a forma como as pessoas leem vai influenciar a forma como escrevem. Acredito que a chegada do livro impresso, criando um grupo muito mais amplo de leitores atentos, encorajou os autores a expandir as fronteiras da literatura, a experimentar novas formas e gêneros, por exemplo. Se a internet e os livros eletrônicos encorajam a leitura distraída, os autores não serão mais capazes de assumir que escrevem para leitores atentos, profundos. Por consequência, acredito que teremos menos experimentação, menos complexidade, menos aventura na escrita. A grande literatura exige não apenas escritores talentosos, mas leitores atentos.



Daqui a imagem e o texto (obrigada, mais uma vez :)


Andrei Tarkovsky on being asked 'What would you like to tell young people?'

"Learn to love solitude, to be more alone with yourselves. The tragedy of today’s young people is that they try to unite on the basis of carrying out noisy and aggressive actions so as not to feel lonely, and this is a sad thing. The individual must learn from childhood to be on his own, for this doesn’t mean to be lonely: it means to not get bored with oneself, because a person who finds himself bored when he is alone, it seems to me, is a person in danger."


Imagem: Julia Fullerton-Batten

sexta-feira

Incentivo à leitura

Está a chover lá fora, o que é sem dúvida um bom incentivo à leitura. Papoila, Orquídea, Fox, recebi o vosso desafio via google reader e então aqui vai:

Qual o livro que indicaria para alguém começar a ler?

Começar do zero é com o Papu 1, comigo funcionou bem :) depois decidi saltar o 2 à frente e passei para o Proust, desta vez tenho-me aguentado e já vou no volume III. Bom, eu comecei a ler mais a sério depois de "O Mundo de Sofia", e como não conheço esse alguém, vou achar que esse alguém é como eu e então indico esse. Isto partindo do princípio que se começa a ler na juventude ou nunca mais. Caso exista alguém que queira começar a ler, digamos, aos 37 anos, eu indico o Dostoievski, porque é isso que eu sei fazer, indicar Dostoievski. O Robert Mapplethorpe dizia à Patti Smith, no livro Just Kids, em relação ao seu trabalho: "Nothing is finished until you see it" (lindo), e é o que eu acho. Por muito que indique, nunca fica completamente indicado se não indicar Dostoievski.

O segundo motivo pelo qual aceitei este desafio foi porque tenho uma imagem gira para usar há muito tempo e nunca consegui.
É o segundo incentivo do dia: Incentivo à compra de livros.


Por fim, o primeiro motivo foi para dizer um olá às meninas que lançaram o desafio.

Ah, agora tenho de nomear 3. Vou aproveitar e nomear 3 dos meus blogs preferidos:

Luisa Alexandra (adoro tudo! e tenho inveja do marido, dos filhos, e de todos os demais que se sentam à mesa para comer aquelas coisas que ela faz)

Caroline (a Caroline representa, em termos de moda, tudo aquilo que eu gostava de ser vestir. Exemplo 1. Exemplo 2, etc. Esse tumblrinspiration é meu by the way)

Everybookandcranny (a certa altura ela põe lá isto dum tal Harold Bloom: "We read deeply for varied reasons, most of them familiar: that we cannot know enough people profoundly enough; that we need to know ourselves better; that we require knowledge, not just of self and others, but of the way things are. Yet the strongest, most authentic motive for deep reading...is the search for a difficult pleasure.")





I am a Queen, and you SIT DOWN!


The best video on youtube:

domingo

I just adore her so I can't ignore her, the girl next door

"But she doesn't know I exist, no matter how I persist.
So it's clear to see there's no hope for me,
Though I live at fifty-one thirty-five Kensington Avenue,
And she lives at fifty-one thirty three"


 Françoise Hardy playing 'the girl next door'




quinta-feira

Tenho sono, muito sono, todo o sono


Esteta

O Inverno da vida

"Porque razão se senta um homem num banco à chuva, a menos de trezentos metros da sua própria casa?"


Imagem do Stalker

Sobre o Stalker, li agora isto:

"Não é nenhum absurdo comparar Stalker a Conta Comigo (Stand by Me), de Rob Reiner. Filmes de tonalidades e objetivos absolutamente diferentes, ambos mostram uma viagem que guarda semelhanças: seguir a linha do trem, fugir da repressão, buscar o desconhecido, flertar com o proibido, deparar-se com um cadáver (cena igualmente marcante nos dois filmes), construir um imaginário que permeia a viagem (o personagem narrador de Conta Comigo é um escritor). Enquanto o filme de Reiner narra a jornada iniciática de um grupo de adolescentes, a perda da inocência, sem abrir mão da mais sincera nostalgia, Stalker apanha um grupo de adultos totalmente desiludidos indo em busca de uma tentativa de redescoberta (da criatividade, do mistério, da paz de espírito, da fé). Um é o reverso do outro: de um lado o processo transformador na sua estrutura mais clássica e romantizada, do outro o passeio misterioso e hesitante; de um lado crianças que discutem e brigam para depois fazer as pazes e reforçar a amizade, do outro homens que discutem e brigam como se fossem bêbados decadentes em fim de noite; de um lado o tempo efêmero da adolescência, do outro a duração dilatada pela angústia adulta. O silêncio da volta em Conta Comigo, quando os quatro meninos estão por demais submersos num misto de plenitude e vazio de pensamento para conseguir conversar entre si, espelha-se na supressão radical do caminho de volta em Stalker, que catapulta seus personagens diretamente ao bar onde se encontraram no início do filme. Apesar da clássica seqüência do campeonato de tortas com o Bola de Sebo não possuir paralelo possível em Tarkovski, Stalker não abdica de um certo humor diretamente relacionado ao patético e ao inusitado, como na cena, dentro da Zona, em que um telefone antigo inesperadamente toca, mostrando que ainda funciona, e o Professor atende e conversa com a pessoa que ligou – um ingrediente à Buñuel, cineasta que Tarkovski muito admirava."

Estava aqui

Conditio sine qua non

"não era porque a riqueza sem mais, a riqueza sem a virtude, fosse aos olhos da Françoise o bem supremo, mas a virtude sem a riqueza também não era o seu ideal. A riqueza era para ela como que uma condição necessária, sem a qual a virtude não teria mérito nem encanto."


Lembro-me da primeira vez que vi esta publicidade, e pensei: a riqueza é isto mesmo, comprar na Hermès e ter tempo (para cirandar no meio da natureza vestida de branco)

Saudades de tudo e de todos

"Desde que deixei de filmar aconteceu-me sentir saudades de tudo e de todos. Compreendo então o que Fellini quer dizer quando afirma que fazer cinema, para ele, é um modo de viver. Também compreendo a historieta que ele costuma contar, passada com Anita Ekberg. A última cena que ela representou no filme La Dolce Vita tinha lugar num automóvel que estava estacionado no estúdio. Após ter sido filmada a cena e com isso concluída a película, Anita Ekberg começou a chorar, recusou-se a sair do carro, mantendo-se agarrada ao volante. E foi quase à força que tiveram de a levar para fora dos estúdios."


La Mort et Monsieur Bergman

The Future ain't what it used to be

"O consenso, quando saírem da sala de cinema, penso eu, será o de que não há hipocrisia que esconda as palavras finais de Coogan. Não as vou repetir aqui para não vos roubar o prazer do melhor final do ano, mas preparem-se, aqueles que não estão dispostos a ser roubados da esperança ou não tem coragem de constatar a verdade bruta, Matá-los Suavemente não é um filme de acção, não é um drama, não é um thriller, não é um filme apenas, é um despacho enviado pela Sétima Arte para nos avisar de que estamos sozinhos, prestes a enterrar-nos em sepulturas cavadas por nós próprios. Ora aí está o busílis da questão, morrer suavemente, na ignorância, que nem ovelhas.
Como se pede da arte, intervêm e haverá muita gente mal-agradecida por isto."

novo blog do Filipe


Joe Strummer a sair da sala de cinema, depois de ouvir as palavras finais de Coogan




quarta-feira

from the hair, the eyes, the nose

"The women who are unabashedly sexual, with the womb written all over their faces, who arouse in a man the desire to fling his penis at them immediately; the women for whom clothes are only a means of making certain fragments of the body more prominent, like the women who wore bustles to exaggerate their asses, and the women who wore corsets that thrust their breasts out of their clothes; the women who throw their sex at us, from the hair, the eyes, the nose, the mouth, the whole body - these are the women I love. The others... how you have to search for the animal in them. They have diluted it, disguised it, perfumed it, so it will smell like something else – like what? angels?"




terça-feira

The girl with the sturdier temperament

"Robert was increasingly despondent. The hours were long and the pay was less than his part-time job at Brentano's had been. When he came home he was exhausted and dispirited and for a time stopped creating. I implored him to quit. His job and scant paycheck were not worth the sacrifice. After nights of discussion, he reluctantly agreed. In return, he worked diligently, always anxious to show me what he had accomplished while I was at Scribner's. I had no regrets taking on the job as breadwinner. My temperament was sturdier. I could still create at night and I was proud to provide a situation allowing him to do his work without compromise."


1 - I get dispirited too
2 - Patti Smith, this is the nicest thing I've read in a while

domingo

Get ready for Christmas festivities


All of my friends were there

"I was wearing a long rayon navy dress with white polka dots and a straw hat, my East of Eden outfit. At the table to my left, Janis Joplin was holding court with her band. To my far right were Grace Slick and the Jefferson Airplane, along with members of Country Joe and the Fish. At the last table facing the door was Jimi Hendrix, his head lowered, eating with his hat on, across from a blonde. There were musicians everywhere, sitting before tables laid with mounds of shrimp with green sauce, paella, pitchers of sangria, and bottles of tequila. I stood there amazed, yet I didn’t feel like an intruder. The Chelsea was my home and the El Quixote my bar. There were no security guards, no pervasive sense of privilege.

They were here for the Woodstock festival. Grace Slick got up and brushed past me. She was wearing a floor-length tie-dyed dress and had dark violet eyes like Liz Taylor.

“Hello,” I said, noticing I was taller.

“Hello yourself,” she said."


Eu também estava lá nesse dia, mas fui antes jantar ao Ritz. Burra.

Bélgica, Irlanda, tudo menos isto

"Também já pensei em ir para fora, se calhar concorro à Comissão. Bruxelas não me diz muito – disse a Rita – estou a pensar na Irlanda, tenho um amigo na Google em Dublin; apesar da crise, parece que vão recrutar mais portugueses. Apoiei, boa ideia: Bélgica, Irlanda, tudo menos isto. 
Ficamos ao balcão – disse a Rita quando entrámos na pastelaria – estou atrasada, já devia estar em casa. A Rita pediu uma brisa e eu escolhi um pastel de nata, que é a especialidade da casa. Vieram, cada um em seu pratinho, pousados num guardanapo de papel. Estaladiços, fresquíssimos, acabados de fazer. Com as mãos pegajosas, a boca cheia, o açúcar a escorregar lhe pelos lábios, a Rita virou-se para mim: isto é que me reconcilia com a vida. Acenei com a cabeça: estive na Irlanda, país lindíssimo, bolos péssimos."


Imagem daqui (o rapaz anda a fotografar nos sítios certos)

Cruzei-me com este livro na Bulhosa do Shopping Cidade do Porto e, logo após ter lido a parte de trás do livro (este excerto que vos deixo), fui comer um bolo. Não estou certa em relação ao livro, mas o excerto é de comer por mais. 

sexta-feira

That's lovely

"On other days, we would visit art museums. There was only enough money for one ticket, so one of us would go in, look at the exhibits, and report back to the other. 
  On one such occasion, we went to the relatively new Whitney Museum on the Upper East Side. It was my turn to go in, and I reluctantly entered without him. I no longer remember the exhibit, but I do recall peering through one of the museum’s unique trapezoidal windows, seeing Robert across the street, leaning against a parking meter, smoking a cigarette. He waited for me, and as we headed toward the subway he said, ‘One day we’ll go in together, and the work will be ours.’"



La grande dame du rock'n roll

 "One Indian summer day we dressed in our favorite things, me in my beatnik sandals and ragged scarves, and Robert with his love beads and sheepskin vest. We took the subway to West Fourth Street and spent the afternoon in Washington Square. We shared coffee from a thermos, watching the stream of tourists, stoners and folksingers. Agitated revolutionaries distributed antiwar leaftlets. Chess players drew a crowd of their own. Everyone coexisted within the continuous drone of verbal diatribes, bongos, and barking dogs.
 We were walking toward the fountain, the epicenter of activity, when an older couple stopped and openly observed us. Robert enjoyed being noticed, and he affectionately squeezed my hand.
 “Oh, take their picture,” said the women to her bemused husband, “I think they’re artists.”
 “Oh, go on,” he shrugged. “They’re just kids.”"