"A minha vontade neste momento era a de escrever a letra da minha vida que encaixasse na melodia da vida dos outros. Era uma junção feliz. Assim o que quer que fosse que eu dissesse era um deleite para qualquer ouvido. A melodia teria de ser perfeita na sua simplicidade e crua no seu ataque, mas disso encarregar-se-ia a minha voz: de descompassar a ordem das coisas, de arreliar a paz interior do mais pacífico dos mortais. Seria como se Diónisos encontrasse Apolo e dançassem num fim de tarde húmido e escarlate por entre os densos e escassos raios de sol que pintam a foz de um rio do pantanal. Esse era eu no meu sonho."
Foto: Lúcia Campinho






































