para lá de qualquer zona proibida
há um espelho para a nossa triste transparência
segunda-feira
quarta-feira
Cooling off
Etiquetas:
Julian Casablancas - 11th Dimension
terça-feira
I promis-cuity
"As coisas que se vêem em casa de uma mulher honesta e que certamente também a ela podem parecer importantes são, em todo o caso, as que para a cocotte o são mais. O ponto culminante do seu dia é, não aquele em que se veste para a sociedade, mas aquele em que se despe para um homem. Precisa de estar tão elegante de roupão, ou de camisa de dormir, como numa toilette de sair. Outras mulheres mostram as jóias, mas ela vive na intimidade das suas pérolas."
"Melhores, e mais felizes, os que, reconhecendo a ficção de tudo, fazem o romance antes que ele lhes seja feito"
A possibilidade de resultados positivos junto de Gilberte
"Eu bem sabia o que tal esperança possuía de quimérico. Era como um pobre que deixa cair menos lágrimas sobre o seu pão seco quando pensa que talvez não tarde que um estrangeiro qualquer lhe deixe toda a sua fortuna. Para tornar a realidade suportável, somos todos obrigados a alimentar em nós algumas pequenas loucuras."
Edward Hopper - Summer Evening
sábado
M'kaaaay?
Lollipop Lollipop oh Lolli Lolli Lolli
quinta-feira
Em cada cem pessoas
"Em cada cem pessoas:
sabendo de tudo mais do que os outros:
- cinquenta e duas,
inseguras de cada passo:
- quase todas as outras,
prontas a ajudar
desde que isso não lhes tome muito tempo:
- quarenta e nove, o que já não é mau,
sempre boas porque incapazes de ser de outro modo:
- quatro; enfim, talvez cinco,
prontas a admirar sem inveja:
- dezoito,
induzidas em erro
por uma juventude afinal tão efémera:
- mais ou menos sessenta,
com quem não se brinca:
- quarenta e quatro,
vivendo sempre angustiadas
em relação a alguém ou a qualquer coisa
- setenta e sete,
dotadas para serem felizes:
- no máximo vinte e tal,
inofensivas quando sozinhas
mas selvagens quando em multidão:
- isso, o melhor é não tentar saber nem mesmo aproximadamente,
prudentes depois do mal estar feito:
- não mais do que antes,
não pedindo nada da vida excepto coisas:
- trinta, mas preferia estar enganada,
encurvadas, sofridas,
sem uma lanterna que lhes ilumine as trevas
- mais tarde ou mais cedo, oitenta e três,
justas
- pelo menos trinta e cinco, o que já não é nada mau,
mas se a isso juntarmos o esforço de compreender
- três,
dignas de compaixão:
- noventa e nove,
mortais:
- cem por cento,
número que, de momento, não é possível alterar."
O texto viajou assim: Wislawa Szymborska > Carlos Vaz Marques > Menina Limão > Eu
sabendo de tudo mais do que os outros:
- cinquenta e duas,
inseguras de cada passo:
- quase todas as outras,
prontas a ajudar
desde que isso não lhes tome muito tempo:
- quarenta e nove, o que já não é mau,
sempre boas porque incapazes de ser de outro modo:
- quatro; enfim, talvez cinco,
prontas a admirar sem inveja:
- dezoito,
induzidas em erro
por uma juventude afinal tão efémera:
- mais ou menos sessenta,
com quem não se brinca:
- quarenta e quatro,
vivendo sempre angustiadas
em relação a alguém ou a qualquer coisa
- setenta e sete,
dotadas para serem felizes:
- no máximo vinte e tal,
inofensivas quando sozinhas
mas selvagens quando em multidão:
- isso, o melhor é não tentar saber nem mesmo aproximadamente,
prudentes depois do mal estar feito:
- não mais do que antes,
não pedindo nada da vida excepto coisas:
- trinta, mas preferia estar enganada,
encurvadas, sofridas,
sem uma lanterna que lhes ilumine as trevas
- mais tarde ou mais cedo, oitenta e três,
justas
- pelo menos trinta e cinco, o que já não é nada mau,
mas se a isso juntarmos o esforço de compreender
- três,
dignas de compaixão:
- noventa e nove,
mortais:
- cem por cento,
número que, de momento, não é possível alterar."
O texto viajou assim: Wislawa Szymborska > Carlos Vaz Marques > Menina Limão > Eu
sexta-feira
Somos todos míopes, excepto para dentro
"Que me pode dar a China que a minha alma me não tenha já dado? E, se a minha alma mo não pode dar, como mo dará a China, se é com a minha alma que verei a China, se a vir? Poderei ir buscar riqueza ao Oriente, mas não riqueza de alma, porque a riqueza de minha alma sou eu, e eu estou onde estou, sem Oriente ou com ele."
Niiiii - é uma faca de dois legumes
"Omnia fui, nihil expedit - fui tudo, nada vale a pena"
Eve Arnold - Bar girl in a brothel in the red light district, Havana, 1954
quinta-feira
É por isso que eu ainda não vi os Padrinhos
"Ter já lido os Pickwick Papers é uma das grandes tragédias da minha vida.
(Não posso tornar a relê-los)"
Vídeo! - All England Summarize Proust Competition:
(Não posso tornar a relê-los)"
Uma das grandes tragédias da minha vida é já estar no segundo volume du temps perdu. Resta-me a alegria de saber que quando acabar de os ler todos, vou com certeza comer madeleines everyday forever in hell (não, este blog ainda não se chama "Tenho estado a ler whitman PTblueblog", foi só uma referência a esta imagem)
Vídeo! - All England Summarize Proust Competition:
quarta-feira
Bolas
"Mas, sobretudo, ao falar dos meus gostos que não mais mudariam, do que estava destinado a tornar a minha vida feliz, insinuava em mim duas suspeitas terrivelmente dolorosas. A primeira era de que a minha vida tinha já começado (quando todos os dias me considerava como que no limiar da minha vida ainda intacta, e que só começaria no dia seguinte de manhã), mais ainda, que o que se ia seguir não seria muito diferente do antecedente. A segunda suspeita, que a bem dizer não passava de outra forma da primeira, era de que não estava situado fora do Tempo, antes sujeito às suas leis (...) Teoricamente sabe-se que a terra gira, mas de facto não damos por isso, o chão que pisamos parece que não se mexe e vivemos tranquilos. É o que se passa com o Tempo na vida."
domingo
A Rochester man
"Ele se levantou e se aproximou de mim, e vi aquele rosto ardente, aqueles olhos de falcão chispando, ternura e paixão em todos os seus traços. Fraquejei por um instante — mas logo me refiz. Não toleraria cenas melosas, manifestações ousadas; e estava em perigo de ambas."
jacKerouac
"Num silêncio cheio de deferência e ternura, despiu-se completamente e enfiou o seu minúsculo corpo debaixo dos lençóis, a meu lado. Era moreno como uvas tintas. Vi o seu pobre ventre que tinha uma cicatriz de cesariana; as suas ancas eram tão estreitas que não podia ter um filho sem ser de barriga aberta. As pernas pareciam palitos. Media menos de um metro e meio de altura. Fiz amor com ela na suavidade da manhã indolente. Depois, como dois amigos exaustos, tristemente arremessados num baixio de Los Angeles, tendo atingido juntos o que há de mais íntimo e voluptuoso na vida, adormecemos e dormimos até altas horas da tarde."
Ethermination
"This is the main advantage of ether: it makes you behave like the village drunkard in some early Irish novel...total loss of all basic motor skills: blurred vision, no balance, numb tongue - severance of all connection between the body and the brain. Which is interesting, because the brain continues to function more or less normally... you can actually watch yourself behaving in this terrible way, but you can't control it."
sábado
Dois punhais afiados para conhecer o ouro
Madrugavam os dias e a máquina de destruição ainda por olear estava. Aproveitava-se ela para penetrar a minha alma, amolecendo-a (água mole em pedra dura tanto bate até que fura). A elevei a estatuto de miúda? Apenas considerei: comigo comunicava todos os dias. Não falhava nenhum sol. Tentava o meu grupo, aproximando-se. Olhar meu desviado em sinal de desdém, pois diz-se que quem sente e não se sente, se ressente.
A verdade
Claudicava a sua atenção aos demais aquando do meu despertar oral, tímido, ainda assim efectivo, chamativo, atractivo, hipnotizante. Quanto mais pedia ódio mais ela o acariciava, acalmando-o. Era ele que ela evocava nas saídas. O querer confiar. Numa noite digna de deuses em festa em casa de Dionísios dançava-mos pelas ruas enlameadas e luminosas.
Aqui a mente obedece a um outro Senhor e mais poderoso, sensual e emotivo. A voz da razão entra em acção. Cada um seguia o caminho que a bebida lhe ditava. Esta não passa de um dispositivo para fazer emergir a verdadeira missão que temos aqui na Terra a realizar. Da qual já nos esqueceramos, de geração em geração; encarnação em encarnação; sepultura em sepultura. São demasiadas fases e barreiras a ultrapassar. A memória tem uma admirável capacidade de armazenamento de informação, mas tanta é claro que não. Apenas os deuses.
Cedera à vontade da razão e abraçava-me ao meu inimigo. O toque permitiu ao espírito uma análise karmática que resultou numa agradável surpresa.
Sucedera que lhe parecera que a
conhecera numa vida passada,
assim a reconhecera
ainda que a mal-tratada
não o fazia relembrar de nada.
Acompanhou-o, a ele e a um amigo, na desventurada noite em que o Governador dava uma festa nos seus "modestos" aposentos de conveniência psicadélica.
Fazia-se agora de difícil.
Passava-lhe a sinceridade da moca
mensageira.
Sóis e luas revezavam-se no altar das estrelas e novas saídas programadas. Quando elas não se faziam aparecer lá vinha ela com algo a propôr, só mesmo para a voltar a ter.
Por duas vezes se propôs a organizar...Por duas vezes se expôs sem nada concretizar...
Uns anos dum amigo comum.
Poucas pessoas da sua "nova vida" fizeram o favor de aparecer.
Ele esteve
E ela foi lá ter.
Falava, como sempre foi, ela com ele. Depois de quatro (ou cinco) idas e voltas de textos, lá ela se dignou a comparecer no sítio previamente combinado. Ele descia as ruas de uma forma escura, desamparada e solitária. Escondia a embriaguez amarrando-a. Não a queria soltar, ainda que ela com a sua força dominadora se escapasse por ali e por acolá.
Primeira vez em que ela de facto reconheceu defeitos por ele e sua bebedeira desvendados. Há noites atrás. Na tal primeira. Primeiro e único abraço. Primeiro e único verdadeiro contacto espiritual. Os corpos aqui teceram pequenas suturas nos pontos de toque para se trocarem reminiscências que se faziam presentes. Tantas vidas juntos. Será? Ou tão pouco tempo juntos que amplificou esse possível amor existente? A falta sem dúvida.
Entrou em nova (ou tentou) moca para fazer aquilo que evitou ou esperou que fosse feito no dia do toque. Maus julgamentos.
Não.
Não exteriorizou bebedeira e zangou-se duma forma terrível e imperial.
Recusou – aceitando desta forma – a atenção que emanava dela.
Atenção
Por diversas ocasiões se fez sentir. Dois ou três consecutivos encontros que se desencontraram. Após ao insucesso de um deles, um pedido (resposta a um prévio dele. Um teste. Uma brincadeira. Um esclarecimento, também) de cinema da parte dela.
Insucesso.Alterou-o e passou-o para o dia seguinte.
Insucesso.
(Ele não facilitava. Afinal a desconfiança ainda era ponto assente.)
Tempo.
As relações deterioraram-se de ligeira forma. O olhar dela era o único recurso agora. Diversos foram os olhares capturados pela sua essência. Olhares tristes, vazios, enfadonhos, mas sempre esperançosos e ternurentos.
Outras experiências dizem que no olhar o cego não deve confiar. Confiou, o estúpido relegado mortal. Convite para cinema: dele para ela. Poético deve-se dizer. Atrapalhada ela ficou. Assentiu de forma rápida e insistente.
Parêntesis
Recorria ela ao fenómeno da digitalização de informação. Do repentino e instantâneo. Acessível e visível a todos, potenciais voyeurs. "Invisibilidade" de identidade; capa para poder soltar sonhos e aspirações secretos para o exterior. Dizia-se ali que o coração, de facto, era um músculo. O cupido era um monstro insensível. Um jornal aberto. Um elefante que só trombas tinha. Aglutinação do nome com a faculdade própria de quem fala demais e desnecessariamente. Queria desenhar mas não o sabia. Um espectro invisível se tornara.
Pobre rapariga.
Após a única saída de ambos uma imagem que tudo resume: um homem e uma mulher trajados com vestes unifórmicas. Tipo Samurais. Mergulhados num grande tanque cheio de um branco líquido – a luz da vida. A vida – o líquido. Este jorrava incessantemente vindo de cima. Os seres abraçavam-se num ardente beijo que de facto faíscava; por detrás ódio mútuo; dois punhais afiados para conhecer o ouro.
Saída
Nada de certo. Muitas palavras pelo ar. Discussão. Sorrisos. Timidez recíproca. Insultos. Preocupação. Insinuação. Representação.
Queremos a vossa atenção!
Escrevia agora que não entendia, não entendia o porquê de bater em retirada. Triste?
Talvez.
Ressentida?
Bem provável.
Auto-intitulava-se de horrível, pois ele a criticara francamente a escolha de hediondo visual.
Agora rejeitava qualquer tipo de reconciliação e de aproximação. Ainda assim mantinha o seu defeito intacto.
Falavam-se.
No fim
Uma última e derradeira achega. Parecia andar sobre fortes e mágicos carris. Vincava o seu estar solitário como algo de bom.
Sim, publicamente...
Pois...algo andava mal, de diferente ao que referia.
"À carga" disse ele, mas ao quê? Nada aparecia-lhe à frente da sua fronha. Dizia-lhe ela que nunca lá estivera com ele nem em presença, nem em sentimento, nem em...olhar. Raptaram o objecto de ódio/amor. A experiência derradeira. Chegara ao fim? Estará de férias? O nosso cego Senhor Destino disso se ocupará. Só ele sabe o que os seus filhos devem ou não ver.
Eu diria que o meu olhar se abriu apenas para ver a pálpebra fechada.
Um falso despertar.
Mas sempre...sempre...
SEMPRE...
Uma experiência.
sexta-feira
A luz. A sombra
Pre holiday blues, Holiday blues, Post holiday blues, Everyfuckingminute blues
Se ao desinteresse lhe acrescentar
Um copo de luxúria,
Um aroma de vaidade,
Ou uma garfada de gula
Libera-se ao pecado da vida
Um copo de luxúria,
Um aroma de vaidade,
Ou uma garfada de gula
Libera-se ao pecado da vida
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