terça-feira

Eu também danço slows...

Assim

O Polígrafo de Swann

   "— Odette — disse-lhe — , minha querida, eu bem sei que sou odioso, mas tenho que te perguntar umas coisas. Lembras-te da ideia que eu tive a propósito de ti e da senhora Verdurin? Diz-me se é verdade, com ela ou com outra.
    Ela sacudiu a cabeça franzindo a boca, sinal frequentemente usado pelas pessoas para responderem que não vão, que é coisa que as aborrece, se alguém lhes perguntou: «Vem ver passar a parada a cavalo, vai assistir à revista?» Mas aquela sacudidela da cabeça assim habitualmente ligada a um acontecimento futuro introduz por isso mesmo alguma incerteza na negação de um acontecimento passado. Para mais, apenas evoca razões de conveniência pessoal, mais que a reprovação, mais que uma impossibilidade moral. Vendo Odette fazer-lhe assim sinal de que era falso, Swann compreendeu que talvez fosse verdade."

 Nein Nein Nein Nein Nein

segunda-feira

Quando se trata de sensualidade — diz Henry

" — Quando se trata de sensualidade — diz Henry — , tu és quase mais sensual do que June. Porque ela pode ser um esplêndido animal quando se está com ela nos braços, mas depois, nada. Ela é fria, dura até. O teu sexo permeia o teu espírito, passa a seguir para a cabeça. Tudo o que pensas é quente. Tu estás constantemente quente. A única coisa é que tens um corpo de garota. Mas que poder que tens de manter a ilusão. Tu sabes como os homens se sentem depois de terem tido uma mulher. Ficam com vontade de lhes dar um pontapé para fora da cama. Contigo, depois de tudo o ambiente fica tão alto como antes."

"Tal como não é a outro homem inteligente que um homem inteligente terá medo de parecer estúpido, não é por um grande senhor, mas por um rústico, que um homem elegante receará ver menosprezada a sua elegância. Três quartos dos ditos de espírito e dos embustes de vaidade prodigalizados desde que o mundo existe por pessoas que com eles sistematicamente se diminuíam foram dirigidos a inferiores. E Swann, que era simples e negligente com uma duquesa, tremia de ser desprezado e estudava as suas atitudes quando estava diante de uma criada de quarto."

quarta-feira

Mirror

Elliott Erwitt
Justyna Lorenc
 Tom Munro
Velázquez - Venus at Her Mirror

 


O gif ali da Coco Rocha é daqui.

O trabalho doméstico

    "Quando está bêbado, fica sentimental de uma maneira tão humana e simples. Começa a visualizar a nossa vida juntos, eu como sua esposa:
      — Nunca serás tão bonita como quando te vir arregaçar as mangas e trabalhar para mim. Podíamos ser tão felizes. Deixar-te-ias ultrapassar pelos teus escritos!
    Ah, o marido alemão. Com isso, eu rio. Então, eu deixo-me ultrapassar pelos meus escritos e torno-me a esposa de um génio. Eu quereria isso, entre outras coisas, mas sem trabalho doméstico."

Uma camada de confiança física, uma camada de tímida sedução, uma camada de desespero infantil

segunda-feira

Questionário Proust

1. Existe um livro que relerias várias vezes?
O principezinho foi o que mais vezes reli, agora tinha de o revoltar a reler para ver se ainda faz sentido reler várias vezes mais que as várias vezes que já reli.

2. Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?
Cem Anos de Solidão do Gabriel García Márquez e O Chão que Ela Pisa do Salman Rushdie. Nunca passei das 50 páginas em nenhum dos dois. But I try and I try and I try and I try...eheh nem tanto


3. Se escolhesses um livro para ler no resto da tua vida, qual seria?
 Nenhum. Escolho madalenas.



 4. Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?
Isto parece pergunta para se fazer no final da vida. Se morresse amanhã, dizia que gostava de ter lido Os Miseráveis ou Anna Karenina ou Guerra e Paz, algo assim.

5. Que livro leste cuja “cena final” jamais conseguiste esquecer?
Lembro-me que naquele livro "Queimada viva" ela foi realmente queimada viva.

6. Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?
Lia Triângulo Jota, Uma aventura,  Anastasia Krupnik, aqueles da Caminho da Alice Vieira, a série dos Arrepios, e Jostein Gaarder na passagem da infância para o que veio a seguir.


7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?
D. Quixote, A trilogia do Senhor dos Anéis, Kafka à Beira Mar, Quo Vadis... têm partes chatas aqui e ali, mas li até ao fim porque as suas partes boas falaram mais alto.

8. Indica alguns dos teus livros preferidos.
Crime e Castigo - Dostoievski
O Monte dos Vendavais - Whatshername Bronte
The Doors of Perception and Heaven and Hell - Aldous Huxley
3 Homens num Bote - Jerome K Jerome
The Outsider - Colin Wilson
Os Subterrâneos - Jack Kerouac
Jane Eyre - Whatshername Bronte
Pela Estrada Fora - Jack Kerouac
Bukowski no geral
Admirável Mundo Novo (e Regresso) - Aldous Huxley
O Calafrio (em Inglês é Turn of the Screw que me faz lembrar http://www.youtube.com/watch?v=z99iVXJ8OtA) - Henry James


9. Que livro estás a ler?
Em Busca do Tempo Perdido: Do Lado de Swann - Marcel Proust
Tenho estado a ler Whitman (yey! \o/ alvíssaras) - Folhas de Erva - Volta e meia once a week
O Livro do Desassossego - Fernando Pessoa (Volta e meia once a week também)
Os Contos de Tchékhov Vol II - São contos, vai-se lendo aqui e ali entre o café e o bagaço

10. Indica dez amigos para responderem a este inquérito
Dez amigos?? Ah Não preciso dizer, eles sabem quem são. Sou muito amigo do meu amigo. E pérolas assim.

Um beijinho à Marisa que me indicou para o questionário. May the winds of destiny carry you aloft to dance with the stars e coisas assim.

domingo

Anaïs Nin goes (more) wild

"Um quarto de hotel, para mim, tem uma implicação de voluptuosidade furtiva, fugaz. Talvez o facto de ter estado sem ver Henry tenha aumentado a minha fome. Masturbo-me com frequência, luxuriosamente, sem remorsos ou aversão posterior. Pela primeira vez sei o que é comer. Aumentei dois quilos. Fico cheia de fome, e a comida que como dá-me um prazer prolongado. Nunca antes tinha comido desta maneira profundamente carnal. Só tenho três desejos agora, comer, dormir e foder. Os cabarets excitam-me. Apetece-me ouvir música rouca, ver caras, roçar-me em corpos, beber um ardente Benedictine. Mulheres belas e homens atraentes despertam ardentes desejos em mim. Quero dançar. Quero drogas. Quero conhecer pessoas perversas, ser íntima delas. Nunca olho para caras ingénuas. Quero morder a vida e ser despedaçada por ela. Henry não me dá tudo isto. Eu despertei o seu amor. Que se lixe o seu amor. Ele sabe foder-me como mais ninguém, mas quero mais do que isso. Vou para o Inferno, para o Inferno, para o Inferno. Selvagem, selvagem, selvagem."