domingo

O perdão

This week

Sittin' in the morning sun,
I`ll be sittin' when the evening come,
Watching the ships roll in,
And I'll watch 'em roll away again, yeah,
I'm sittin' on the dock of the bay,
Watching the tide roll away,
I'm just sittin' on the dock of the bay,
Wasting time
(...)
Sittin' here resting my bones,
And this loneliness won't leave me alone, yes,
Two thousand miles I roam
Just to make this dock my home


sexta-feira

"eu achava que queria ser poeta, mas no fundo queria ser poema"


Texto daqui: istmodemim blog 
 Imagem daqui: cinematografo tumblr

O sorriso é uma prova de inteligência...

"No seu íntimo ela julga que têm de acertar à primeira e que para isso deve cerrar dentes e punhos e por cara séria, compenetrada. O sorriso é uma prova de inteligência...ou de muita falta dela. Agora, não sei se prefiro a cinzentude semi-inteligente ou o riso idiota..."





Estas imagens no google reader não ficam uma ao lado da outra!? Grrrrr

I like people filled with life...and beer

"They’re fucking gross, man. Look, I love beautiful girls too. I think everyone should be free to have their knee socks and their sweaty shorts, but I’m over it. I’m over this weird, exhausted girl. I’m over the girl that’s tired and freezing and hungry. I like bossy girls, I always have. I like people filled with life. I’m over this weird media thing with all this, like, hollow-eyed, empty, party crap."

Amy Poehler on American Apparel


"Filled with life" places where this "filled with life" pictures are from:
missmoss blog (she does this AMAZING colour comparisons)

 Filled with life, literally

 Meryl Streep is bigger than life



Party:



Party crap:



From the cobra snake of course (3 of them)



Extra: The One beer/ugly sweaters party :)

terça-feira

O desassossego segundo Tchékhov

"Tais pensamentos novos assustavam Nikítin, e rejeitava-os, acusava-os de idiotas e queria acreditar que era tudo por causa dos nervos, que amanhã se riria de si próprio...
  Era verdade, de manhã já brincava com o seu nervosismo da véspera e chamava-se a si próprio de fêmea; mas já ficara claro para ele que tinha perdido o sossego, talvez para sempre, e que naquela casa de dois pisos não estucada já lhe era impossível ser feliz. Pressentia que a ilusão se tinha esgotado e começava agora uma vida nova, nervosa, consciente, que não se coadunava com o sossego e a felicidade pessoal."

Edward Hopper - Room in New York

A arte de oferecer presentes

"Mas como o meu pai quase lhe chamou louca ao saber dos livros que ela pretendia dar-me, voltara pessoalmente a Jouy-le-Vicomte, à livraria, para que eu não corresse o risco de não ter o meu presente (era um dia quentíssimo, e regressara tão indisposta que o médico avisara a minha mãe para não a deixar fatigar-se daquele modo) e mudara para os quatro romances campestres de George Sand. «Minha filha», dizia ela à minha mãe, «eu não era capaz de me decidir a dar a esta criança qualquer coisa mal escrita».
     A verdade é que ela nunca se resignava a comprar fosse o que fosse de que não se pudesse retirar algum proveito intelectual, e sobretudo aquele que nos é proporcionado pelas coisas belas ao ensinar-nos a procurar o nosso prazer fora das satisfações do bem-estar e da vaidade. Mesmo quando tinha que dar um presente chamado útil, quando tinha que dar um cadeirão, talheres, uma bengala, procurava que fossem «antigos», como se, apagado pelo seu longo desuso o carácter de utilidade, parecessem mais preparados para nos contarem a vida dos homens de antigamente que para servirem as necessidades da nossa."


"Eu amava-a, lamentava não ter tido tempo e inspiração para a ofender, para lhe fazer mal e forçá-la a recordar-se de mim. Achava-a tão bela que me apetecia voltar pelo mesmo caminho para lhe gritar encolhendo os ombros: «Como eu a acho feia, grotesca, como você me repugna!» No entanto, afastava-me levando comigo para sempre, como primeiro tipo de uma felicidade inacessível às crianças da minha espécie, em nome de leis impossíveis de transgredir, a imagem de uma menina ruiva, de pele semeada de pintas rosadas, que tinha na mão um sacho e se ria deixando correr para mim longos olhares sorrateiros e inexpressivos."

William-Adolphe Bouguereau - Pastourelle

sexta-feira

A Livreira Anarquista

Estou rendida:

http://livreiranarquista.tumblr.com/

"Mãe a advertir filho que andava a tocar nos livros:
— Não mexas aí que isso é cócó!"

"Eu até estou a gostar mais ou menos do livro, mas tem muito vocabulário, sabe? Quero ver se arranjo uma coisa parecida, mas com menos vocabulário.
— E que tal “O Livro em Branco”? Mantém-se o conceito de livro mas o vocabulário deixa de ser um problema."

"— Boa tarde. Fazem embrulhos?
Livreira Anarquista: Sim.
— Então quero um livro qualquer.

— Mas que digno critério de decisão. Estou tocada."

"Freguesa: Tem o livro Como Mudar a Sua Vida, mas em inglês?…
(E, antes que eu pudesse sequer responder, ela continua em modo de justificação, não só evidente, como ultra-necessária)
Freguesa: …é que é para um rapaz estudar na praia. Um rapaz preto.
                                               * * *
Esse não tenho, lamento. Mas se quiser arranjo-lhe um outro, para uma freguesa estudar na casa-de-banho. Uma freguesa idiota."

O amor físico, tão injustamente desacreditado

"É notável como uma pessoa provoca sempre admiração pelas suas qualidades morais em casa dos pais de qualquer outra pessoa com quem tem relações carnais. O amor físico, tão injustamente desacreditado, força de tal modo todo e qualquer ser a manifestar até às mínimas parcelas que possui bondade e desprendimento de si mesmo, que estas qualidades resplendem mesmo aos olhos dos que o rodeiam de perto." 


quarta-feira

Memo to self: Nunca se apagava. Permanecia sempre o mesmo

"Troquei algumas palavras com Ghompal, enquanto ele chegava a taça de leite aos lábios do velho. Era um prazer observar o indiano. Por muito servil que fosse a tarefa, desempenhava-a com dignidade. Era sempre assim, quanto mais humilde o serviço que fazia, mais nobre ele parecia. Nunca se sentia constrangido nem humilhado, e também nunca se apagava. Permanecia sempre o mesmo, sempre completa e unicamente ele próprio."

The one and only Peter Sellers (no filme The Party)

segunda-feira

Foi falando, falando...

"Foi falando, falando, a fim de adiar o embaraçoso momento de silêncio em que não restasse mais nada além da pressão da minha mão e da confissão tácita de que ela desejava que a deixasse estar onde estava."


Numerosos defeitos

"Vária e Lisa odeiam, ambas, a Kátia. Não compreendo este ódio e, pelos vistos, para compreendê-lo é preciso ser mulher. Aposto a cabeça que é improvável, entre os cento e cinquenta moços que vejo quase diariamente no meu auditório, e entre a centena de homens maduros que me acontece encontrar todas as semanas, haver algum capaz de compreender o ódio e a repugnância pelo passado de Kátia, isto é, pela sua gravidez fora do casamento e pelo filho ilegítimo; ao mesmo tempo, não consigo lembrar-me de nenhuma mulher ou menina conhecidas que não experimente, consciente ou instintivamente, tais sentimentos.
(...)
A minha mulher não gosta de Kátia porque ela foi actriz, pela sua ingratidão, pelo seu orgulho, pela sua excentricidade e por todos aqueles numerosos defeitos que uma mulher sabe sempre encontrar noutra." 


sábado

Ri como quem tem chorado muito

sexta-feira

An afternoon delight


Pois é, saquei este filme a pensar que ia ver um Buñuel (The Exterminating Angel) e durante uns tempos achei que alguém tinha feito a maldade de pôr um filme porno rasca com o título de um filme do Buñuel só para meter nojo. Mas não, o filme chama-se mesmo Les Anges Exterminateurs.


Durante toda a minha vida sonhei levantar-me cedo

"Fantasma da madrugada: durante toda a minha vida sonhei levantar-me cedo (desejo de classe: levantarmo-nos cedo para «pensar», para escrever, não para apanhar o comboio dos subúrbios); mas essa madrugada do fantasma nunca eu a veria, mesmo que conseguisse levantar-me cedo; pois para ela ser conforme com o meu desejo seria necessário que, mal me levantasse, eu pudesse, sem perda de tempo, vê-la no despertar, na consciência, na acumulação de sensibilidade que se tem à noite."



O prazer que tomba, tomba para todo o sempre

"Havia outrora um eléctrico branco que fazia o serviço entre Bayone e Biarritz; no Verão, atrelava-se-lhe uma carruagem toda aberta, sem ilhargas: era a «baladeuse». Grande animação, toda a gente queria viajar nela: ao longo duma paisagem pouco carregada, gozava-se ao mesmo tempo o panorama, o movimento e a aragem. Hoje já não existem nem a «baladeuse» nem o eléctrico e a viagem é uma estopada. Não se trata com isto de embelezar miticamente o passado, nem de afirmar as saudades duma juventude perdida, fingindo-se que se lamenta um eléctrico. Isto é para dizer que a arte de viver não tem história: não evolui: o prazer que tomba, tomba para todo o sempre, não é substituível. Outros prazeres vêm, que não substituem nada. Não há progresso nos prazeres, há apenas mutações."



Às vezes a realidade lá supera a ficção

"sempre estive convencido de que o meu percurso académico com oito anos de frequência universitária e elevado número de cadeiras concluídas, em mais do que um plano de estudos curriculares, correspondesse a um curso superior à luz das equivalências automáticas do Processo de Bolonha."
Daqui

Elevado número de cadeiras concluídas em oito anos de frequência universitária...
Até usei o meu gif preferido


quarta-feira

O meu mal é ter uma curiosidade de puta

Sente-se mais generoso como escritor ou como leitor?
Eu leio de tudo. Interesso-me por tudo. Não só por literatura. Revistas, jornais, artigos de opinião, História. Livros de não-ficção, gosto muito. Fico obcecado por um assunto e vou por aí fora.
Qual é a sua obsessão actual?
A obsessão actual é a botânica. Ainda ontem estive a ler uma coisa sobre a relação entre os fungos e as árvores. 
Parece, em si, um interesse muito improvável. 
Não é improvável, não. Tudo é interessante. Se se vir bem, não há nada que não seja profundamente interessante. O meu mal é ter uma curiosidade de puta. Acho tudo fascinante. Depois, há a utilidade marginal, que é um conceito fabuloso da economia. É verdade que as primeiras horas em que estás a ler uma coisa nova são as mais ricas. É quando se aprende mais. Quando a utilidade marginal começa a descer, ou seja, quando já não adianta a não ser estando mais uma semana, então abandono e começo com outra área. Não vou até ao fim.


Outro:

Einstein,

about that shoes...

O granadeiro Gobain suicidou-se por amor

    "Ordem do dia de Bonaparte, Primeiro Cônsul, à sua guarda: «O granadeiro Gobain suicidou-se por amor; era, de resto, muito boa pessoa. É a segunda vez que se verifica um acontecimento desta natureza durante o último mês. O Primeiro Cônsul ordena que seja fixado na ordem da guarda: que um soldado tem de vencer a dor e a melancolia das paixões; que há tanta coragem em sofrer com constância as penas da alma como em ficar em sentido sob a metralha duma bateria...»
    Estes granadeiros amoroso, melancólicos, de que linguagem extraíam eles as suas paixões? (pouco concordantes com a imagem da sua classe e da sua profissão)? Que livros teriam eles lido - ou que histórias teriam ouvido? Perspicácia de Bonaparte ao assimilar o amor a uma batalha, não no facto - banal - de dois intervenientes que se enfrentam, mas porque a rajada amorosa, cortante como metralha, provoca a surdez e o temor: crise, convulsão do corpo, loucura: aquele que está apaixonado à maneira romântica conhece a experiência da loucura."

sábado

O tempo

Primeiro e único abraço. Primeiro e único verdadeiro contacto espiritual. (Os corpos aqui teceram pequenas suturas nos pontos de toque para se trocarem reminiscências que se faziam presentes). Tantas vidas juntos. Será? Ou tão pouco tempo juntos que amplificou esse possível amor existente? A falta sem dúvida.


 Primeira imagem daqui


E apeteceu-lhe muito, até à saudade, entrar nessoutro mundo

"Nikítin apagou a vela e deitou-se. Mas não lhe apetecia dormir nem ficar deitado. Sentia a cabeça enorme e vazia como um celeiro, vagueavam nela  pensamentos novos, esquisitos, como sombras compridas. Pensava que, além da suave luz da lamparina sorrindo à vista da serena felicidade familiar, além desse pequeno mundo, de vida tão doce, tanto para ele como para aquele gato, existia outro mundo...E apeteceu-lhe muito, até à saudade, entrar nessoutro mundo, trabalhar numa fábrica ou numa oficina grande, falar de uma cátedra universitária, escrever, publicar, fazer barulho, cansar-se, sofrer...Ansiou por alguma coisa que o dominasse até ao esquecimento de si mesmo, até à indiferença pela felicidade familiar com as suas sensações tão monótonas."


Only the lonely

"« - Ninguém compreende! - murmurava ela depois, no quarto dos fundos, deitada na cama da ama. - Ninguém, ninguém! Meu Deus, ninguém compreende!
  «Mas todos compreendiam perfeitamente que ela era quatro anos mais velha do que a sua irmã Maniússia e ainda não estava casada, e que não era por inveja que chorava, mas pela triste consciência de que o tempo dela estava a passar e talvez até já tivesse passado. Quando se dançava a quadrilha, já ela estava no salão, com a cara inchada de chorar e coberta de pó-de-arroz, e vi o capitão Poliánski a segurar um pires donde ela comia gelado à colherinha..."



domingo

Com a sua incultura não pode ter sentimento nenhum

"Para quê dizer «e picos» quando se pode dizer «um pouco mais de dois côvados», como toda a gente? Disse aquilo com a lágrima ao canto do olho, é certo, mas é uma lágrima campónia, são sentimentos campónios. Será que um campónio russo poderá ter qualquer sentimento comparativamente ao homem culto? Não, com a sua incultura não pode ter sentimento nenhum. Eu, desde a infância minha própria, quando às vezes ouço «e picos», fico pronto para bater com a cabeça contra a parede. Odeio toda a Rússia, Mária Kondrátievna."


In dreams

"Lamento não poder dizer-lhe nada mais consolador, porque o amor vivo, em comparação com o amor sonhado, é uma coisa cruel e assustadora. O amor dos sonhos anseia por uma obra rápida, de satisfação imediata e aos olhos de todos. Aqui, é verdade, chega-se ao ponto de sacrificar a própria vida, só para que a obra não seja muito demorada, mas rápida, como no palco do teatro, e que toda a gente olhe e louve. Ora, o amor vivo é trabalho e paciência e, para alguns, toda uma ciência."

Go to sleep, everything is all right




Any fool could paint a tree to look like a flame

"When he saw a tree full of leaves, it existed so much for him that he could not paint it as a tree or give the general impression of a tree with colours (as Monet and the Impressionists did); it explodes into life and looks more like a tree burning with Bengal fires. This is no literary trick (any fool could paint a tree to look like a flame); it is a way of seeing; it is built into his vision, and the proof of its sincerity lies in watching the development of the vision through his painting."

The Mulberry Tree - Van Gogh

domingo

Ah, meu pobre filho, esse teu amigo é idiota

"Bloch desagradara aos meus pais por outras razões. Começara por irritar o meu pai que, vendo-o molhado, lhe dissera com interesse:
    - Então, senhor Bloch, como está o tempo? Choveu? Não percebo nada, o barómetro estava excelente.
   Só conseguira esta resposta:
    - Senhor, não posso de modo algum dizer-lhe se choveu ou não. Vivo tão resolutamente fora das contingências físicas que os meus sentidos não se dão ao trabalho de mas comunicar.
    - Ah, meu pobre filho, esse teu amigo é idiota - dissera-me o meu pai quando Bloch se foi embora. - Então ele nem sequer me pode dizer o tempo que faz! Quando não há nada mais interessante! É um imbecil.
    Além disso, Bloch desagradara à minha avó porque, depois do almoço, quando ela estava a dizer que se sentia um pouco adoentada, ele sufocara um soluço e enxugara as lágrimas.
    - Como queres tu que aquilo seja sincero - disse-me ela - se ele não me conhece? Ou então é louco.
    E, finalmente, tinha descontentado toda a gente porque, chegando para almoçar com hora e meia de atraso e coberto de lama, em vez de pedir desculpas, dissera:
    - Nunca me deixo influenciar pelas perturbações da atmosfera nem pelas divisões convencionais do tempo. De bom grado reabilitaria o uso do cachimbo de ópio e do kriss malaio, mas ignoro esses instrumentos infinitamente mais perniciosos e aliás chatamente burgueses, que são o relógio e o guarda-chuva."


quarta-feira

Tive uma necessidade dela que nunca foi satisfeita

"Una Gifford só me traz dor e angústia. Quero-a, preciso dela, não posso viver sem ela. Não diz «sim» nem «não», pela simples razão de que eu não tenho coragem para lhe fazer a pergunta. Farei dezasseis anos em breve e ainda andamos os dois na escola, terminamos o curso no próximo ano. Como pode uma rapariga da nossa idade, a quem só acenamos com a cabeça ou fitamos, ser a mulher sem a qual a vida é impossível? Como podemos sonhar com o casamento antes de termos transposto o limiar da vida? Mas se eu tivesse fugido com Una Gifford nessa altura, com a idade de quinze anos, se tivesse casado com ela e tido dez filhos dela, teria sido certo, perfeitamente certo. Que importava se me tivesse tornado uma pessoa absolutamente diferente, se tivesse caído para o fundo da escada? Que importava se tivesse significado velhice prematura? Tive uma necessidade dela que nunca foi satisfeita, e essa necessidade foi como uma ferida que cresceu, e cresceu, até se tornar um buraco hiante. Com o correr da vida, à medida que essa necessidade desesperada se tornou mais intensa, arrastei tudo para dentro do buraco e assassinei todas as coisas."