sábado

In the mood for Black

"Shut your eyes and see"

Guernica - Pablo Picasso

Edouard Manet - Berthe Morisot au Bouquet de Violettes

Jackson Pollock - Number 32

Kasimir Malevich - Black Circle

Antonio Saura - Crucifixion

Anselm Kiefer - Girasoles


Robert Rauschenberg - Breakthrough II

Robert Motherwell - Elegy to the Spanish Republic, 70

O enfado de Isabbetta

"A mulher, Isabbetta, ainda jovem (teria vinte e oito ou trinta anos), era tão fresca, gentil e rechonchuda que parecia uma maçã reineta e sofria muito por causa da santidade e da velhice do marido, que a condenava a jejuns demasiado longos. Quando desejava deitar-se, ou antes, divertir-se com ele, o marido contava-lhe a vida de Cristo, os sermões de Frei Anastácio, as lamentações de Madalena ou qualquer narrativa edificante."


"Para ele, Ema desprendia-se das qualidades carnais, das quais ele nada poderia obter; e no seu coração, ela subia sempre, isolando-se, à maneira magnífica de uma apoteose que ascende. Era um desses sentimentos puros que não impedem o exercício da vida, que merecem ser cultivados porque são raros, e cuja perda traz maiores angústias do que de gozos produz a posse."





quinta-feira

Rosas:
As flores são fáceis de pintar,
As folhas difíceis.


"Carruthers era, de facto, um beberrão, mas um beberrão agradável e sociável. Daqueles que bebem e ficam sóbrios, intervaladamente; daqueles que nunca pensam em comida; daqueles que têm uma memória extraordinária, que observam tudo com olhos de águia embora pareçam inconscientes, submersos, mortos para o mundo."

 Il Gattopardo



"Mas, afinal, o que se leva da vida, senão remorsos? Remorsos do que podia ter sido e não foi e do que se perdeu depois de ter sido. Remorsos do que devia ter sido dito e feito e não foi a tempo ou do que foi demasiado dito e feito. Remorsos destes eternos desencontros, desta sensação de que nada existe no seu tempo certo, de chegar sempre tarde ou partir cedo demais. Porque será que a seguir à noite vem sempre a manhã e de manhã pesa sempre nos olhos e na alma o que se fez e desfez de noite."


quarta-feira

barBEAria

"Mas ninguém falava. Outrora, noutros tempos, o mundo inteiro, do lugar mais próximo ao mais longínquo, era atraído para dentro da barbearia..."


"...Agora reinava o silêncio, tinha feito aquele caminho em vão, já não existia mundo algum de que se quisesse falar."

Whistler's Mother

Norman Rockwell - The Runaway

A Bar at the Folies-Bergère - Édouard Manet

The Land Baby - John Collier

Leda Atomica - A informação veio Dali

segunda-feira

A Califórnia de Dean

"A Califórnia de Dean: viva, abrasadora, importante, a terra onde solitários amantes exilados e excêntricos vêm reunir-se como aves, e a terra onde todas as pessoas pareciam um pouco bonitos actores de cinema decadentes e falidos."


quarta-feira

Bastou a vida tocar-me com a sua brutalidade

" - Não há para onde ir, não há. Somos fracos, querido amigo...Eu era um indiferente, raciocinava com vivacidade e sensatez, mas bastou a vida tocar-me com a sua brutalidade para desanimar...para esta prostração...Somos fracos, não prestamos... O senhor também, querido amigo, o senhor também. É inteligente, nobre, bebeu as melhores intenções no leite materno, mas mal entrou na vida cansou-se e adoeceu... Fracos, fracos!"


The one and only...Cate Blanchett

terça-feira

Proust in Hell

Havia já muitos anos que, de Combray, não existia para mim tudo o que não fosse o teatro e o drama do meu deitar, quando, num dia de Inverno, ao regressar a casa, a minha mãe, vendo-me com frio, me propôs que, contra o meu hábito, tomasse um chá. Comecei por recusar e, não sei porquê, mudei de opinião. Ela mandou buscar um daqueles bolos pequenos e roliços chamados “madalenas” que parecem ter sido moldados na concha estriada de uma vieira. E não tardou que, maquinalmente, abatido pelo dia taciturno e pela perspectiva de um triste dia seguinte, levei à boca uma colher de chá onde deixara amolecer um pedaço de madalena. Mas no preciso instante em que o gole com migalhas de bolo misturadas me tocou no céu da boca, estremeci, atento ao que de extraordinário estava a passar-se em mim. Fora invadido por um prazer delicioso, um prazer isolado, sem a noção da sua causa. Tornara-me imediatamente indiferentes as vicissitudes da vida, inofensivos os seus desastres, ilusória a sua brevidade, do mesmo modo que o amor opera, enchendo-me de uma essência preciosa: ou, antes, tal essência não estava em mim, era eu mesmo. Deixara de me sentir medíocre, contingente, mortal. Donde poderia ter vindo aquela poderosa alegria? Senti-a ligada ao gosto do chá e do bolo, mas ultrapassava-o infinitamente, não devia ser da mesma natureza. Donde vinha? Que significava? Onde agarrá-la? Bebo um segundo gole, no qual nada encontro a mais que no primeiro, e um terceiro que me traz um pouco menos que o segundo. É tempo de parar, a virtude da bebida parece estar a diminuir. É evidente que a verdade que procuro não está nela, mas em mim. Ela despertou-a, mas não a conhece, e não pode mais que repetir indefinidamente, cada vez com menos força, aquele mesmo testemunho que não sei interpretar e que, pelo menos, quero poder tornar a pedir-lhe e reencontrar intacto, à minha disposição, daqui a pouco, para um decisivo esclarecimento. Poiso a xícara e volto-me para o meu espírito. A ele cabe encontrar a verdade. Mas como? Grave incerteza, sempre que o espírito se sente ultrapassado por si mesmo; quando ele, o explorador, é todo ele o país escuro que tem a explorar e onde lhe não servirá de nada toda a sua bagagem. Explorar? Não só: criar. Está diante de algo que não é ainda e que só ele pode tornar real e depois fazer entrar na sua luz.
E recomeço a perguntar a mim mesmo qual poderia ser esse estado desconhecido, que não trazia consigo qualquer prova lógica, mas sim a evidência da sua felicidade, da sua realidade, diante da qual as outras se esfumavam. Pretendo tentar fazê-lo reaparecer. Retrocedo pelo pensamento ao momento em que tomei a primeira colher de chá. Reencontro o mesmo estado, sem uma clareza nova. Peço ao meu espírito mais um esforço, que me traga mais uma vez a sensação que se escapa.
(...)
E de repente a recordação surgiu-me. Aquele gosto era o do pedacinho de madalena que em Combray, ao domingo de manhã (porque nesse dia não saía antes da hora da missa), a minha tia Léonie, quando lhe ia dar os bons-dias ao quarto, me oferecia, depois de o ter ensopado na sua infusão de chá ou de tília. A visão da minúscula madalena nada me fizera lembrar até a ter provado; talvez porque, tendo-as visto muitas vezes depois disso, sem as comer, nas prateleiras das pastelarias, a sua imagem deixara aqueles dias de Combray para se ligar a outras mais recentes.
(...)
Mas quando nada subsiste de um passado antigo, após a morte dos seres, após a destruição das coisas, apenas o cheiro e o sabor, mais frágeis mas mais vivazes, mais imateriais, mais persistentes, mais fiéis, permanecem ainda por muito tempo, como almas, a fazer-se lembrados, à espera sobre a ruína de tudo o resto, a carregar sem vacilações sobre a sua gotinha quase impalpável o edifício imenso da memória.


"É certo que na minha casa há todas as coisas inúteis. Só lá falta o necessário, um grande pedaço de céu como aqui. Meu rapazinho, trate de conservar sempre um pedaço de céu por cima da sua vida - acrescentava ainda virando-se para mim. - Tem uma linda alma, de uma qualidade rara, uma natureza de artista, não deixe que lhe falte aquilo de que precisa."


Temos de deixar os outros supor que sabemos o que estamos a fazer

"No meu ver, o mundo está a desmoronar-se. No estado em que as coisas estão, não é necessário muita inteligência para um gajo se safar. Pelo contrário, quanto menos inteligência tiver, melhor. As coisas estão de tal maneira que nos entregam tudo de bandeja. Basta saber fazer uma coisita razoavelmente: um tipo filia-se num sindicato, trabalha o menos possível e quando chega a idade da reforma recebe uma pensão. Quem tem inclinações estéticas não aguenta a estúpida rotina, ano após ano. A arte torna as pessoas desassossegadas, descontentes. Como o nosso sistema industrial não se pode dar ao luxo de permitir que isso aconteça, oferece-nos pequenos substitutos apaziguadores, para nos esquecermos que somos seres humanos. Em breve não haverá arte nenhuma, sou eu que lhes digo. Terá de se pagar ás pessoas para irem a um museu ou a um concerto. Não digo que continue sempre assim. Não. Quando eles tiverem tudo bem alinhadinho, tudo a deslizar como azeite, sem ninguém a abrir o bico, descontente ou desassossegado, quando isso acontecer, pumba!, a coisa cai. O homem não nasceu para ser uma máquina. O engraçado em todos estes sistemas utópicos de governo é que estão sempre a prometer libertar o homem - mas primeiro tentam fazê-lo funcionar como um relógio de corda para oito dias. Pedem ao indivíduo que se torne escravo a fim de conquistar a liberdade para a espécie humana. É uma lógica singular. Não digo que o presente sistema seja melhor. Na realidade, seria difícil imaginar algo pior do que temos agora. Mas sei que não o melhoraremos desistindo dos poucos direitos que temos já. Não me parece que precisemos de mais direitos: do que precisamos é de ideias maiores. Jesus, apetece-me vomitar quando vejo o que advogados e juízes tentam preservar! A lei não tem qualquer relação com as necessidades humanas; é um negócio dirigido por um sindicato de parasitas. Abram um livro de Direito e leiam uma passagem (em qualquer lado) em voz alta. Parecerá loucura a quem estiver no seu perfeito juízo. É loucura, com a breca, eu sei! Mas, meu Deus, se começo a pôr em dúvida a lei tenho de pôr em dúvida outras coisas, também. Ficaria maluco se encarasse as coisas com olhos lúcidos. É impossível, se não queremos desafinar. Temos de semicerrar os olhos à medida que avançamos, temos de deixar os outros supor que sabemos o que estamos a fazer. Mas ninguém sabe o que está a fazer! Não nos levantamos de manhã e pensamos o que vamos fazer. Não, senhor! Levantamo-nos atordoados, e arrastamo-nos por um túnel escuro, com uma «ressaca». Entramos no jogo. Sabemos que é uma imunda falsificação, uma batota pegada, mas não temos outro remédio senão sujeitar-nos; não há por onde escolher. Nascemos numa certa organização para a qual estamos condicionados: podemos pôr-lhe uns remendozitos aqui e ali, como a um barco com um rombo, mas não podemos refazer tudo do princípio: não há tempo para isso, temos de chegar ao porto - ou supomos que temos. Claro que nunca lá chegaremos. O barco afundar-se-á primeiro, acreditem..."


Não é capaz de ver para além do verme

"O senhor não poderia ser artista, em primeiro lugar porque lhe falta fé. Não poderia ter ideias belas, porque as mata antecipadamente. Nega o que é necessário para fazer beleza, e que é amor, amor à própria vida, amor à vida por ela própria. Vê a imperfeição, o verme, em tudo. Um artista, mesmo quando detecta uma imperfeição, transforma-a em algo perfeito, se assim me posso exprimir. Não tenta fingir que um verme é uma flor ou um anjo, mas incorpora o verme em qualquer coisa maior. Sabe que o mundo não está cheio de vermes, mesmo quando vê um milhão ou mil milhões deles. Você, porém, vê um vermezinho e diz: «Olhem, vejam como está tudo podre!» Não é capaz de ver para além do verme...Desculpe, não queria apresentar as coisas de modo tão cáustico, nem tão pessoal. Mas espero que tenha compreendido aonde quero chegar..."


domingo

"Até parece bondoso, generoso, brincalhão, mas é enfadonho. E depois, há pessoas assim, que dizem sempre coisas inteligentes e palavras bonitas, mas que sentimos serem gente obtusa."


quarta-feira

Não gosto do meu nome popular. Parece-me que me enganou

"É ridícula para mim a ingenuidade com que, na minha passada juventude, eu exagerava a importância do renome e da situação privilegiada de que, supostamente, gozam as celebridades. Agora tenho esse renome, o meu nome é pronunciado com veneração, o meu retrato saiu tanto na Niva como na Vsemírnaia Illustrátsia, li mesmo a minha biografia numa revista alemã - e então? Estou sozinho numa cidade estranha, sentado numa cama alheia, esfrego com as mãos a bochecha dorida...Desavenças familiares, credores impiedosos, empregados dos caminhos-de-ferro mal educados, confusões no sistema de passaportes, comida cara e nada saudável nos bufetes, ignorância e grosseria nas relações humanas - tudo isso, e muito mais, que levaria demasiado tempo a ser enumerado, não deixa de me atingir menos do que a um qualquer vilão conhecido apenas na ruela em que mora. Em que consiste então a exclusividade da minha situação? Digamos que sou muitíssimo famoso, que sou um herói de que a minha pátria se orgulha, em todos os jornais se publicam relatórios sobre a minha doença, são-me enviadas cartas compadecidas de colegas, discípulos, do público em geral, mas tudo isso não me impedirá de morrer numa cama estranha, em angústia, numa solidão completa...Claro que ninguém tem culpa disso, mas, confesso, não gosto do meu nome popular. Parece-me que me enganou."

To my international readers ;)

"I am amused by the naivete with which I used in my youth to exaggerate the value of renown and of the exceptional position which celebrities are supposed to enjoy. I am famous, my name is pronounced with reverence, my portrait has been both in the Niva and in the Illustrated News of the World; I have read my biography even in a German magazine. And what of all that? Here I am sitting utterly alone in a strange town, on a strange bed, rubbing my aching cheek with my hand. . . . Domestic worries, the hard-heartedness of creditors, the rudeness of the railway servants, the inconveniences of the passport system, the expensive and unwholesome food in the refreshment-rooms, the general rudeness and coarseness in social intercourse — all this, and a great deal more which would take too long to reckon up, affects me as much as any working man who is famous only in his alley. In what way, does my exceptional position find expression? Admitting that I am celebrated a thousand times over, that I am a hero of whom my country is proud. They publish bulletins of my illness in every paper, letters of sympathy come to me by post from my colleagues, my pupils, the general public; but all that does not prevent me from dying in a strange bed, in misery, in utter loneliness. Of course, no one is to blame for that; but I in my foolishness dislike my popularity. I feel as though it had cheated me."

Agora de repente lembro-me de duas situações onde se podem ter inspirado nesta passagem:



(já me tinha esquecido como é irritante a voz desta pequena)


(Há uma cena neste filme que ela vai para o quarto sozinha chorar ou assim.)

sábado

Karaoke Moments

Porque eu também sonho com um momento destes

A Life Less Ordinary: Ewan McGregor e Cameron Diaz - Somewhere Beyond the Sea


Duets: Gwyneth Paltrow - Bette Davis Eyes


Lost in Translation: Bill Murray - More Than This


Blue Velvet: Dean Stockwell - In Dreams


Black Rain: Andy Garcia - What'd I Say


The Cable Guy: Jim Carrey - Somebody to Love



Veronica Mars: Kristen Bell - One Way or Another


Desperate Housewives: Teri Hatcher - New York, New York


Friends: Lisa Kudrow - We are the Champions e Courteney Cox - Delta Dawn


Bones: Emily Deschanel - Girls Just Wanna Have Fun


Gilmore Girls: Lauren Graham - I Will Always Love You


How I Met Your Mother: Neil Patrick Harris - Cats in the Cradle

sexta-feira

Annabel Lee

It was many and many a year ago,
    In a kingdom by the sea,
That a maiden there lived whom you may know
    By the name of Annabel Lee.
And this maiden she lived with no other thought
    Than to love and be loved by me.  
 

Porque a vida não são só livros...blog de tendances

"Old School Gamer. We couldn't tell if we were fighting with a sword or a suppository. And that's the way we liked it!"



Le Rouge:
Today's Outfit:
The most beautiful place to be is in love

quinta-feira

O punho da porta do quarto de infância

"Aquele punho da porta do meu quarto, que para mim era diferente de todos os outros punhos de porta deste mundo, pelo facto de parecer que abria sozinho sem que eu tivesse necessidade de o girar, de tal modo o seu manejo se me tinha tornado inconsciente..."


O Tchékhov fala comigo através dos livros...it scares the shit out of me

"Falas em tom e em modo de vítima. Isso não me agrada, querida. A culpa é só tua. Lembra-te que sempre te abespinhaste contra as pessoas e contra o sistema, desde o princípio, mas não fizeste nada para os melhorares. Não lutaste contra o mal, baixaste os braços cansada, não és vítima da luta, mas da tua própria impotência. Claro, nessa altura eras novinha, inexperiente, mas agora tudo pode correr de outra maneira."

kali ciesmilel

quarta-feira

men who walk as if melody had never been invented

"...with bad breath and big feet, men
who look like frogs, hyenas, men who walk
as if melody had never been invented....

and the inevitable landlady,

execrating and final,
sending me to hell,
waving her fat, sweaty arms
and screaming
screaming for rent
because the world had failed us
both"  
Anthony Goicolea

In thee!

Wild Nights – Wild Nights!
Were I with thee
Wild Nights should be
Our luxury!

Futile – the winds –
To a heart in port –
Done with the compass –
Done with the chart!

Rowing in Eden –
Ah, the sea!
Might I moor – Tonight –
In thee!




Noites Bravias - Noites Bravias!
Estivesse eu contigo
Tais Noites o nosso
Deleite seriam!

Fúteis - os Ventos -
A Coração em porto -
Inútil a Bússola -
Como o Mapa inútil!

Remando em Éden -
Ah, o Mar!
E eu ancorar - Esta Noite -
Em Ti!

Chapéu

Life's about film stars and less about mothers

j.bond francisco