j.bond francisco
quarta-feira
domingo
"É certo que a perdia então duas vezes, no seu cansaço final e na sua primeira foto, para mim a última; mas também era assim que tudo oscilava e que eu finalmente a encontrava tal como ela era..."
Foto: Ole Thomas
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Roland Barthes - La Chambre Claire
É por isso
"Para mais, tenho o cabelo despenteado porque, havia uma mosca numa teia de aranha, e dei comigo a perguntar: «Deverei soltar a mosca? Deverei deixá-la ser comida?». É por isso que ando sempre atrasado."
quarta-feira
Fazer toilette com intenção, o maior dos encantos femininos!
"Ter um amante é ter a feliz, a doce ocasião destes pequeninos afazeres - escrever cartas às escondidas, tremer e ter susto: fechar-se a sós para pensar, estendida no sofá; ter o orgulho de possuir um segredo; ter aquela ideia dele e do seu amor, acompanhando com uma melodia em surdina todos os seus movimentos, a toilette, o banho, o bordado, o penteado: é estar numa sala cheia de gente, e vê-lo a ele, sério e indiferente, e só eles dois estarem no encanto do mistério; é procurar uma certa flor que se combinou pôr no cabelo; é estar triste por ideias amorosas, nos dias de chuva, ao canto de um fogão; é a felicidade de andar melancólica no fundo de um cupé; é fazer toilette com intenção, o maior dos encantos femininos! Etc.
Estas pequeninas coisas, que enchem a sua existência, que a complicam em cor-de-rosa, que a idealizam - são a sua grande atracção. É o que amam. O homem amam-no pela quantidade do mistério, de interesse, de ocupação romanesca que ele dá à sua existência. De resto, amam o amor."
Estas pequeninas coisas, que enchem a sua existência, que a complicam em cor-de-rosa, que a idealizam - são a sua grande atracção. É o que amam. O homem amam-no pela quantidade do mistério, de interesse, de ocupação romanesca que ele dá à sua existência. De resto, amam o amor."
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Eça de Queirós - Uma Campanha Alegre
Há abraços que, às vezes, ficam por dar
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Há vida em Marta,
Leila Pugnaloni
sábado
Deixe-se levar pela corrente, eu ficarei na margem a vigiá-lo
"E depois, feitas as contas, parece-me tão feliz! Hesita-se em destruir uma ilusão, por mais funesta que seja, que é tão deliciosa enquanto dura. São os momentos raros da vida. Ser novo e ardente, em plena primavera italiana, e acreditar na perfeição moral de uma bela mulher - que situação admirável! Deixe-se levar pela corrente, eu ficarei na margem a vigiá-lo."
Comprei o livro óntem por causa deste excerto que vinha na contra capa (e por ser do Henry James também). Um livro com 75 páginas (letra média a fugir para o grande) que custou 10.80€, uma loucura senhores ouvintes. Ainda p'ra mais acabei de o ler numa hora. Mas tinha de ser meu de qualquer maneira, tem um azul que me agrada bastante.
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Henry James - Diário de um Homem de 50 Anos
the shadows dress confess the blackness...yesss
Ode to joy, from the chalice filled with wine, from the chalice filled with light.
Ode to darkness, the shadows dress confess the blackness, confined to trials and tribulations, we seek the hour of consumation. We seek the divinity, by candles, prayers and charity. The chalice of love, the city of love beside the sea.
Ode to the chalice filled with light, ode to the wind, carrying the breath of psalms, upon ashes smeared on palms. Ode, to this light, to the blood raised in wine, the cross and loss, divine, the holy shroud of white.
Ode to darkness, the shadows dress confess the blackness, confined to trials and tribulations, we seek the hour of consumation. We seek the divinity, by candles, prayers and charity. The chalice of love, the city of love beside the sea.
Ode to the chalice filled with light, ode to the wind, carrying the breath of psalms, upon ashes smeared on palms. Ode, to this light, to the blood raised in wine, the cross and loss, divine, the holy shroud of white.
Tomer Hanuka
Mad Girl's Love Song
I shut my eyes and all the world drops dead;
I lift my lids and all is born again.
(I think I made you up inside my head.)
I lift my lids and all is born again.
(I think I made you up inside my head.)
I dreamed that you bewitched me into bed
And sung me moon-struck, kissed me quite insane.
(I think I made you up inside my head.)
I should have loved a thunderbird instead;
At least when spring comes they roar back again.
I shut my eyes and all the world drops dead.
(I think I made you up inside my head.)
Poema inteiro aqui
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Sylvia Plath - Mad Girl's Love Song
sexta-feira
Na verdade não há sítios melhores, todos os sítios têm uma desilusão pronta para te dar
"Quando escrevi as letras tentei pegar na nossa experiencia, mas sem a pessoalizar, tentando encontrar lugares comuns. É por isso que temos uma música chamada 'Columbine'. Pode ser uma piada de mau gosto, mas tem tudo a ver com endoidecer numa cidade pequena ou simplesmente querermos sair dali para um sítio melhor. Na verdade, não há sítios melhores, todos os sítios têm uma desilusão pronta para te dar
(...)
Apesar de estarem hoje divididos pelo Porto, Coimbra e Barcelos, graças aos cursos superiores, os ensaios continuam a ser sempre na cidade natal e todas as músicas nasceram lá. Com a cidade têm uma relação de amor-ódio. E o amor tem ganho, depois de perceberem que o tédio é, afinal de contas, uma contingência universal. "Gosto de Barcelos porque cresci lá, tenho a minha família (somos uma família muito barcelense), a minha namorada, os meus grandes amigos todos. Deixar Coimbra e voltar a Barcelos aos fins-de-semana é quase como chegar um porto seguro. Não espero que ninguém compreenda por que é que gosto de Barcelos assim: só eu é que posso gostar de Barcelos assim", afirma."
Descreve bem a minha relação com Ponte de Lima.
quarta-feira
O instrumento subtil
"Programa duma vanguarda:
«O mundo está sem dúvida fora dos eixos, só os movimentos violentos podem repor tudo no seu lugar. Mas pode acontecer que haja, entre os instrumentos que sirvam para o efeito, um pequeno, frágil, que exija ser manipulado com leveza» (Brecht, A Compra do Cobre)."
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Roland Barthes por Roland Barthes
O Tolan Baranduna ® diz:
"Terminei o La Carte Et le Territoire do Michel Houellebecq, à custa de anti-sociais almoços em dias de trabalho. Descobri que é melhor dizer que tenho um "almoço combinado" do que dizer simplesmente "quero almoçar sozinho para ler". Enquanto a primeira justificação é recebida com um piscar de olhos cúmplices e um comentário dúbio como "então bom almoço ;)", a segunda provoca alguma estupefacção, desconfiança e insinuações relacionadas com autismo.
Há restaurantes detestáveis para ir almoçar em circunstâncias normais devido à lentidão do serviço mas que se tornam perfeitos quando temos um livro para ler. Eu não interrompo a leitura para comer, nem que tenha de cortar a comida em bocadinhos durante um ou dois minutos e depois usar apenas o garfo.
Andei a tentar esgalhar um texto sobre o La Carte et Le Territoire há muito tempo, talvez até antes de o ler. O Houellebecq é o meu escritor contemporâneo de eleição e fico soulagee por ser francês embora conste que seja odiado em França. Gosto muito do meu Michel. Não diria que este romance em particular é brihante.
Tenho toda uma longa teoria sobre o que impede la Carte Et Le Territoire de ser um grande livro. Já a contei a um amigo, o tal que é pai, mas ele ouviu-me enquanto abanava o bebé para ele arrotar e colocava um dedo na fralda para ver se tinha merda, de maneiras que não conta. Também tentei explicar isto à Princesa, enquanto jogávamos Bowling no playcenter do Colombo, mas os meus esforços foram infrutíferos. Deposito a minha esperança em leitores virtuais desinteressados.
O termo intelectualismo, que eu inventei agora, refere-se à tendência que alguns escritores têm de enfiar um ensaio sobre um tema ou fazer reflexões exógenas à narrativa, normalmente apoiadas em referências eruditas (enfim, mais ou menos eruditas). É o motivo pelo qual, com o tempo, passei a considerar um livro que tinha adorado na néscia adolescência, A Montanha Mágica do Thomas Mann, uma bela porcaria presunçosa. Mas na minha memória as coisas vão destilando, destilando, até sobrar uma ideia extrema ao fim de alguns anos, normalmente uma ideia depreciativa.
No caso do Houllebecq, um exemplo deste intelectualismo são as páginas sobre a relação da arquitectura com a sociologia e a política, contada pela voz do pai do protagonista, um arquitecto moribundo. O problema destes ensaios, mesmo disfarçados como diálogos, é que topamos imediatamente que aquilo vem de uma cena que o gajo está a ler e que, para além de ali estar para dar densidade ao universo da personagem e à própria personagem, também cumpre um objectivo simbólico bastante evidente. O objectivo do Houellebecq, eu percebo-o muito bem, é colocar o ser humano, irrelevante, decrépito e animal, numa espécie de enquadramento social ou natural. Embora em menor grau, a caracterização de um comissário da polícia sofre da mesma enfermidade, o universo da polícia é esquadrinhado, por vezes com números (salário), progressão da carreira etc. Assim, um inspector é definido pelo seu salário, pela carreira, da mesma forma que o arquitecto jovem é vítima de correntes políticas que opõem arquitectos, fala-se de Gropius, Le Corbusier, Mies Van Der Rohe, comunismo, capitalismo etc. tudo conceitos abstractos que são tornados ridículos e superficiais pelo contraste com a natureza. Um exemplo é função reprodutiva das personagens, as personagens e os cães das mesmas, apresentam problemas de esterilidade ou impotência, a reprodução das moscas que infestam um cadáver é descrita em parágrafos sucintos cheios de pormenores numéricos e realçam este aspecto da Natureza, a de existir por regras próprias a que o homem faz vãs tentativas para lhes escapar. Nada disto é especialmente novo, desde o Robinson Crusoe do Daffoe que fundou as bases para o "bom selvagem" do Rousseau.
Uma boa objecção que me podiam fazer era o Dostoiévski - caso vocês fossem do tipo de fazer objecções como no tribunal - ser um dos meus escritores preferidos, ele tem sempre uns quantos gajos nos seus romances a fazerem grandes monólogos filosóficos ou políticos, representando um determinado estereótipo e mesmo as suas personagens e histórias encaixam numa análise da realidade. Contudo, eu contraponho que não me lembro de ver intelectualismo nos livros de Dostoiévski, os diálogos que vemos nos seus livros representam a sua própria angústia interna e diferentes facetas biográficas: o Dosto jovem político, o Dosto cristão, os seus ataques de epilepsia clarividente, o místico, o ciumento, o filho do pai tirano, o jogador etc.
É legítimo que o Houellebecq queira apenas escrever livros sossegado, sente-se isso na sua escrita, uma grande confiança, um prazer, uma ironia adulta e que se está a borrifar para essas ambições maiores. Um leitor como eu fica apenas frustrado, mas não tanto como fica a ler os livros do Philip Roth, esses sim ambiciosos, muito ambiciosos, mas longe de serem aquilo que o autor provavelmente pensa que são."
Em relação à estupefacção com que é recebida a frase "quero almoçar sozinho para ler", lanço aqui o apelo:
domingo
O enfado de Bartolomea
"Segundo dizia, não havia dia nenhum que não fosse consagrado a um santo, e mesmo a vários, e o homem e a mulher deviam por isso abster-se de ter relações carnais. A isto, juntavam-se os dias de jejum, os quatro tempos, as vigílias dos apóstolos ou de mil outros santos, a sexta-feira, os sábados e os domingos, dias do senhor, toda a quaresma, certas luas e grande número de excepções do mesmo género. Pensava com certeza que se podiam ter com as mulheres, na cama, férias como as que ele tinha no tribunal civil. Empregou este método durante muito tempo, para grande enfado da dama, em quem tocava uma vez por mês, quanto muito. Guardava-a, porém, o melhor possível, receando sempre que outro homem ensinasse a Bartolomea os dias de trabalho, tal como ele lhe ensinava os dias santos."
Foto: Ellen Von Unwerth
terça-feira
um dia o teu orgulho há-de dobrar-se
Hoje ainda sofres com a multidão, tu, que és um solitário: hoje ainda a tua coragem e as tuas esperanças estão inteiras.
Mas um dia a solidão há-de fatigar-te, um dia o teu orgulho há-de dobrar-se e a tua coragem há-de ranger os dentes. Um dia hás-de gritar: «Estou só!»
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Friedrich Nietzsche - Assim Falou Zaratustra
A nota paúlica
Amo especialmente a última poesia, a da Ceifeira onde consegui dar a nota paúlica em linguagem simples. Amo-me por ter escrito:
Ah, poder ser tu, sendo eu!
Ter a tua alegre inconsciência
E a consciência disso!
segunda-feira
Pedro Garfias
Finalmente, conheci lá esse poeta bizarro e magnífico que se chamava Pedro Garfias, um homem que podia passar quinze dias à procura de um adjectivo. Ao cruzar-me com ele, perguntava-lhe por exemplo:
- Então, esse adjectivo, já o encontraste?
- Não levamos vinho?
- Não, não nos serve de nada lá em cima e, além disso, nas grandes altitudes, quando estás cansado, não tens nenhuma vontade de beber álcool.
Não acreditei mas calei-me.
- Não, não nos serve de nada lá em cima e, além disso, nas grandes altitudes, quando estás cansado, não tens nenhuma vontade de beber álcool.
Não acreditei mas calei-me.
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Douglas Coupland - Eleanor Rigby
quarta-feira
Olhares...de esguelha
Depois do cair da noite e de um apressado jantar, um justo filme - uma ida ao cinema local - para acalmar as intempéries diárias. Sem dúvida um belo western, Eastwood, Valance, Wayne. Caos, risos, honra, solidão. Algo melhor para iniciar a noite? Refiro-me "à noite" não uma noite.
Saímos de cena cambaleantes. Esporas tilintam e a imaginação faz criação justa e própria. Rédea solta! Enfrentemos a besta!
Uma ida a um "saloon" não seria nada mau...Com música. Blues. Jazz. Venha boa música que contorça a espinha. Flutuemos então pelo denso nevoeiro de fumo de charuto com nosso ideais ébrios! Danço se for preciso. Canto. Ajudo o impulso da música. Como recompensa o espírito desperto e as portas da noite abertas a um western implacável e imperial. Pelos velhos e tão modernos paralelos caminham esguios, compostos transeuntes, de máscara em riste. Verdadeiros homens amarram as suas damas em tom nobre senhorial a pender para o masoquismo. A escravidão pedem elas.
Assisto a tudo isto escorregando trôpego e eléctrico nas calçadas ainda húmidas do orvalho recém-nascido.
Odores serenos e animadores de álcool. Voláteis atracções de corpos e sempre cuspo em que escorregar. Ao virar da esquina.
Os vilões -
Bando de rufias surge do fundo da noite em grande aparato. Risos sádicos de crime orgulho. Blusão negro de cabedal segurando discretamente o ponta-e-mola (brinquedo escolhido). Agora malabarismos, exibicionismo. Falas para o ar chamam a si o sacrilégio. Estilo. Os Pausados. Modelos de passerelle dos quais Valance ou os irmãos Dalton (?) se orgulhariam. Olhares...de esguelha, cruzam-se a metros de distância perfurando o azul veludo do cenário nocturno. A achega. O toque. O ataque. Empurrões. Quase caos...até que saco da mais bela e poderosa de todas as armas...a garrafa. Dou uma golada, sério. Momentos sólidos de silêncio e tensão. Atiro um riso infantil para cima da armada insultuosa que me enfrenta e estendendo-lhes esta esplendorosa e milagreira arma secreta faço os meus primeiros amigos da noite. Inseparáveis até à última gota.
Eis o meu western!
Mas espera! Explico. O epílogo. Botas assadas e gastas duma dura noite. Linda! Calcam as ruas ocas produzindo surdos ecos por toda a cidade. Subo o olhar e seguro a minha miúda dum lado fazendo-me recostar no seu doce e desconhecido ombro. A minha eterna amada! Essa mulher! A Noite!
sábado
"Eat Your Heart Out" series
we go to bed and I hold her
I touch her wrists and hands
feel up to
her elbows
no further.
she gets up.
this is it, she says,
this will do. well,
I'm going.
speechlessly from the back
my arm around her neckI touch her wrists and hands
feel up to
her elbows
no further.
she gets up.
this is it, she says,
this will do. well,
I'm going.
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Charles Bukowski - Eat Your Heart Out
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