sábado

I Wish

Do you believe in rock 'n roll,
Can music save your mortal soul,
And can you teach me how to dance real slow?




1 de Janeiro de 2011 - Pensamentos de hoje

And she'll tease you,
She'll unease you
All the better just to please you
She's precocious
and she knows just what it
Takes to make a pro blush
She got Greta Garbo's stand off sighs,
She's got Bette Davis eyes





sexta-feira

it may not be much light but it beats darkness

"´E este o problema com a bebida, pensei, enquanto me servia dum copo. Se acontece algo de mau, bebe-se para esquecer; se acontece algo de bom, bebe-se para celebrar, e se nada acontece, bebe-se para que aconteça alguma coisa."



So many fish there in the sea

"Dizem que o mundo contém infinitas possibilidades, mas estas, na experiência pessoal, ficam reduzidas a muito poucas. Há muito peixe no mar...talvez haja...mas sobretudo sardinha e arenque, e, se não se é sardinha ou arenque, não se encontra muito bom peixe no mar."




quinta-feira

I live all the daytime
In faith and in might:
And in holy rapture
I die every night.

terça-feira

A cela ficava cheia de todas essas caras femininas

"Os primeiros meses foram difíceis. Mas justamente o esforço que fui obrigado a fazer ajudou-me a passá-los. Atormentava-me, por exemplo, o desejo de uma mulher. Era natural, eu era um rapaz novo. Não pensava especialmente em Maria. Mas pensava tanto numa mulher, nas mulheres, em todas as que tinha conhecido um dia, em todas as circunstâncias em que as amara, que a cela ficava cheia de todas essas caras femininas e povoava-se com todos os meus desejos. Isto desequilibrava-me, de certo modo. Mas, por outro lado, fazia passar o tempo. Acabara por conquistar a simpatia do guarda que, à hora das refeições, acompanhava o moço da cozinha. O primeiro que me falou de mulheres foi ele. Disse que era a primeira coisa de que os outros se queixavam. Redargui que era como os outros, e que achava injusto esse tratamento. «Mas é precisamente para isso», disse ele, «que os prendem.» «Para isso?» «Pois claro, a liberdade é isso mesmo. A vocês, privam-vos da liberdade.» Nunca me lembrara de semelhante coisa. Aprovei-o: «É verdade», disse eu, «onde estaria então o castigo?» «Sim, vê-se que você compreende as coisas. Os outros não compreendem.»"


segunda-feira

Could it be the most beautiful song in the world?

I was born by the river 
in a little tent
and like that river
I've been running ever since


quinta-feira

Renovar o fulgor - é privilégio de Fênix

O hábito diminui a admiração, e uma novidade medíocre supera uma excelência envelhecida. 

Use-se, pois, renascer em valor, em engenho, em ventura, em tudo. Empenhar-se em novidades de bravura, amanhecendo muitas vezes, como o sol, variando os teatros do brilho, para que num a privação e noutro a novidade solicitem neste o aplauso, naquele a saudade. 

 Wolfgang Joop
O que importa não é a vida eterna, é a eterna vivacidade.

Eu, André Breton, me confesso

"Confesso, sem o mínimo de acanhamento, a minha profunda insensibilidade perante espetáculos da natureza e obras de arte que, à primeira vista, não me suscitem aquela emoção física cuja sensação mais característica é a de uma pena de vento a latejar-me nas têmporas, capaz de me provocar um verdadeiro arrepio."

Hieronymus Bosch - O Jardim das Delícias

Zoom e volume no máximo para o Jeremy

quarta-feira

A presença da mulher amada

"Do jardim levei Sacha para minha casa. A presença da mulher amada em casa do celibatário faz o efeito da música e do vinho. Normalmente, começamos por falar do futuro, e aí a nossa convicção e presunção não têm limites. Construímos projectos, planos, falamos com fervor de como vamos ser futuros generais, quando ainda não somos alferes, numa palavra, vertemos tanta eloquência disparatada que a interlocutora precisa de muito amor e inexperiência de vida para se nos confiar. Felizmente para os homens, as mulheres apaixonadas ficam sempre cegas de amor e nunca conhecem a vida."

domingo

145 - A vida mais ou menos perigosa

"Ignorais completamente o que vos acontece, correis pela vida à maneira de bêbedos, caindo de vez em quando por uma escada. Mas, graças à vossa embriaguez, não partis a espinha: os vossos músculos estão muito lassos e a vossa cabeça demasiado obscura para que acheis a pedra desses degraus tão dura como é para nós! Para nós a vida é um perigo maior: nós somos de terra; desgraçados de nós se acabamos por nos esbarrar! E se caímos é o fim de tudo!"


segunda-feira

Jean Cocteau sabe (d)escrever um acidente

"O seu carro era baixo. Um largo cachecol que lhe envolvia o pescoço e flutuava, enrolou-se em volta do cubo da roda. Estrangulou-o e decapitou-o violentamente, enquanto o carro derrapava, se esmagava contra uma árvore e se transformava num destroço de silêncio, com uma única roda que girava cada vez mais lentamente no ar como uma roda de lotaria."




estava bom, só um pouco mais feio que dantes

Meu prezado Barbosa

Dar-te-ei mais minuciosas explicações acerca da minha catástrofe equestre. Eram dez horas da noute. O céu estava no seu lugar. A lua balouçava-se, segundo o seu costume, na corda bamba, que os poetas lhe imaginam. Eu entrava triunfalmente na Rua das Hortas, onde o coração desde muito me pressagiava catástrofe. O cavalo, ao entrar naquela nesga de África, resfolegou o aroma da verguinha e da estopa. Levantou as patas, deu galões tremendos, e atirou-se ao chão, quando perdeu as esperanças de me atirar a mim. Quando me ergui tinha a cara partida em três partes. Montei, vim soldar os fragmentos da cara, e estava bom, só um pouco mais feio que dantes, quando ás dez horas recebi a tua pergunta de bom amigo. Esse dia tinha-o eu passado em casa de ***. Se não chegasse tão alquebrado iria à estação do telégrafo responder, mas, meu caro Barbosa, eu sentia o coração pesado, e as pernas fracturadas. Precisava regenerar-me pelo sono de doze horas.

Ora aqui tens. Vai um meio folhetim da C. Amanhã irá mais. Agradecimentos aos amigos, e saudades a teu mano
    do teu Camilo


domingo

Van Gogh's Paintings Get Tilt-Shifted

I dream of painting and then I paint my dream.


sábado

Há tantos amores na vida de um homem! Aos quatro anos, ama-se os cavalos, o sol, as flores, as armas que brilham, os uniformes de soldado; aos dez, ama-se a menina que brinca connosco; aos treze, ama-se uma mulher de colo túrgido, porque me lembro de que o que os adolescentes amam loucamente é um colo de mulher, branco e mate, e como diz Marot:
Tetin refaict plus blanc qu'un oeuf
Tetin de satin blanc tout neuf.

Quase me senti mal quando vi pela primeira vez os seios desnudados de uma mulher. Por fim, aos catorze ou quinze anos, ama-se uma jovem que vem a nossa casa, e que é um pouco mais que uma irmã, menos que uma amante; depois, aos dezasseis anos, ama-se uma outra mulher, até aos vinte e cinco; depois, talvez se ame a mulher com quem casamos. Cinco anos mais tarde, ama-se a dançarina que faz saltar o seu vestido sobre as suas coxas carnudas; por fim, aos trinta e seis, ama-se a deputação, a especulação, as honrarias; aos cinquenta, ama-se o jantar do ministro ou do presidente da câmara; aos sessenta, ama-se a prostituta que nos chama através dos vidros e a quem se lança um olhar de impotência, uma saudade do passado. Não será assim?

Porque eu passei por todos esses amores; não todos, porém, porque não vivi todos os meus anos, e cada ano, na vida de muitos homens, é marcado por uma paixão nova, paixão das mulheres, do jogo, dos cavalos, das botas finas, das bengalas, das lunetas, das carruagens, da posição. Quantas loucuras há num homem! Oh! não há a menor dúvida de que os matizes de um trajo de arlequim não são mais variados do que as loucuras do espírito humano, e ambos chegam ao mesmo resultado: ficarem coçados e fazerem rir durante algum tempo, o público em troca do seu dinheiro, o filósofo em troca da sua ciência.



um delírio de muitos

Pode dizer-se que a fuga terminou, mas também que continuas de viagem em tua casa, pela estrada perdida.

O mundo converteu-se-te, após o teu lento regresso, num país estrangeiro, onde já não existe a necessidade de fugir dele nem tão-pouco a de voltar a casa.

Antes de o mundo se tornar um país estrangeiro, a literatura era uma viagem, uma odisseia. Havia duas odisseias, uma era a clássica, uma epopeia conservadora que ia desde Homero a James Joyce e onde o indivíduo regressava a casa com uma identidade reafirmada, apesar de todas as dificuldades, pela viagem através do mundo e também pelos obstáculos encontrados no caminho: Ulisses, com efeito, regressava a Ítaca, e Leopold Bloom, o personagem de Joyce, também. No seu caso fazia-o numa espécie de viagem circular de repetição elíptica. A outra odisseia era a do homem sem atributos de Musil, que se movia, ao contrário de Ulisses, numa odisseia sem retorno e onde o indivíduo se lançava para diante, sem nunca voltar a casa, avançando e perdendo-se continuamente, trocando a sua identidade em vez de a reafirmar, desagregando-a naquilo que Musil chamava «um delírio de muitos».

Agora vives uma dupla odisseia num país estrangeiro e vais caminhando por uma das suas estradas perdidas ao entardecer, entre a neblina, à procura de Musil. Às vezes vês Emily Dickinson, que foge de algo e vai sussurrando a palavra bruma enquanto passeia o cão. E às vezes não a vês, porque está a coser em casa e é Penélope da epopeia conservadora.

Avanças e perdes-te continuamente e mudas a tua identidade em vez de a reafirmares, e desagregas-te num delírio de muitos pela estrada perdida, na sala da tua casa, entre a bruma, sob a neve, com a televisão ligada mas sem o audio, de maneira que de vez em quando levantas os olhos e distingues uma imagem sem a reter, uma espécie de banda visual contínua, de fundo, como antes a música fazia de fundo sonoro.




"I'm not upset. I will never play with those girls. I only surround myself with people I find intellectually stimulating."


segunda-feira

O Super Homem

"Na verdade, o homem é um rio imundo. É preciso ser um mar para poder receber em si um rio imundo sem se manchar. Eis que eu venho anunciar-vos o Super Homem: ele é esse mar em que se pode perder o vosso desprezo."



Absolutamente despreocupado

"Era tão leve, tão ligeiro, tão jovial, tão absolutamente despreocupado com o trabalho do mundo! Que pena que a nossa não seja uma sociedade que permita a um homem desbaratar os seus dias e o recompense - com uma côdea de pão e um dedal de uísque - por se manter livre de problemas e tédio." 


Absolutamente nada

"Norman Douglas, autor de South Wind, torna dolorosamente claro que as crianças que mais se divertem, as crianças mais inventivas, são aquelas que não têm absolutamente nada com que brincar."

Foto: Robert Doisneau

domingo

I love the smell of 372944 pancakes in the morning, smells like victory

Everything I eat has been proved by some doctor or other to be a deadly poison, and everything I don't eat has been proved to be indispensable for life. But I go marching on.


Algumas imagens são daqui , outras são Dali

The iscream people

the lady has me temporarily off the bottle
and now the pecker stands up
better.
however, things change overnight--
instead of listening to Shostakovich and
Mozart through a smeared haze of smoke
the nights change, new
complexities:
we drive to Baskin-Robbins,
31 flavors:
Rocky Road, Bubble Gum, Apricot Ice, Strawberry
Cheesecake, Chocolate Mint...

we park outside and look at icecream
people
a very healthy and satisfied people,
nary a potential suicide in sight
(they probably even vote)
and I tell her
"what if the boys saw me go in there? suppose they
find out I'm going in for a walnut peach sundae?"
"come on, chicken," she laughs and we go in
and stand with the icecream people
none of them are cursing or threatening
the clerks.
there seem to be no hangovers or
grievances.
I am alarmed at the placid and calm wave
that flows about. I feel like a leper in a
beauty contest. we finally get our sundaes and
sit in the car and eat them.

I must admit they are quite good. a curious new
world. (all my friends tell me I am looking
better. "you're looking good, man, we thought you
were going to die there for a while...")
--those 4,500 dark nights, the jails, the
hospitals...

and later that night
there is use for the pecker, use for
love, and it is glorious,
long and true,
and afterwards we speak of easy things;
our heads by the open window with the moonlight
looking through, we sleep in each other's
arms.

the icecream people make me feel good,
inside and out.

sábado

Torna tudo mais pequeno

"Quando comparamos a nossa ridícula existência com as existências literárias que fomos acumulando na estante, tudo se torna incomparavelmente mais insignificante. Mais triste. Mais inútil. Porque a grande literatura não nos torna maiores. Torna-nos menores. E torna tudo mais pequeno. Podemos amar a donzela da praxe com devoção e zelo. Vocês conhecem: a Teresa, bonitinha, com apartamento em Telheiras e um Cinquecentto em segunda mão. Mas, honestamente, algum dia amaremos alguém como Dante amou Beatrice? Como o Quixote amou Dulcineia? Como Bendrix amou Sarah sob um céu carregado de demência e morte? Nada na vida é como nos livros. Não chove como na Londres de Larkin. A comida não sabe tão bem como nos romances de Hemingway. Os melhores martinis que tomei foram na prosa de Fitzgerald. Nos meses de verão, Veneza fede - mas nunca na literatura de Mann, Calvino ou Brodsky."